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Açougue do Adi

BAIRRO:
Órfãs

Iniciado em 1946 por Max Seifert no bairro Órfãs, o açougue consolidou-se como comércio de referência ao longo das décadas. Em 1966, foi oficialmente inaugurado e passou a ser conduzido por Onivaldo Seifert, o Adi, responsável por fortalecer sua identidade. Hoje, sob gestão de Omar Seifert, mantém a produção própria de carnes e embutidos, preservando a tradição familiar.

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Karina Steemel

38 anos - do lar

 

"Tenho uma lembrança bem gostosa desse lugar, de quando eu era criança/adolescente. Íamos passear na casa da minha bisavó e ela pedia para eu ir no Açougue do Adi para comprar coisas boas e fazer um café para a gente. Ficou na lembrança os tempos bons que hoje não voltam com a 'vó Nega'."

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Rafaela Rocha Szypanski

34 anos - do lar

 

"O Açougue do Adi não representa um simples açougue, e sim uma parte marcante da minha infância. Esse açougue fica bem em frente à antiga casa da minha avó paterna, que me traz boas lembranças. Nas tardes em que eu passava na minha avó depois da escola, para tomar um café, ela sempre ia no Açougue pegar o conhecido patê de salame para comer com pão fresquinho. O lugar é marcante por ser um símbolo de aconchego e boas memórias."

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Daniele Fernandes

45 anos - técnica de enfermagem

 

"O açougue costuma vender uma carne (mistura moída) que costumo fazer bolinhos com ela. Misturo pão, frito e a gente gosta muito."

Keuryn Nattany Gonzaga

33 anos - empresária

 

"Conheci o Açougue do Adi ainda na infância. É perto da minha casa. Representa tradição, família e bons momentos. Os produtos sempre estiveram presentes criando muitas memórias afetivas. Quando eu ia com meu avô fazer as compras no Açougue era um momento simples, mas muito especial. Depois, em casa, toda família se reunia para aproveitar as refeições feitas com os produtos de lá. Esses momentos ficaram guardados com muito carinho na minha memória."

Joelma Almeida

42 anos - dona de casa

 

"Conheci o Açougue do Adi logo quando me mudei aqui para o bairro. Ele representa o cheiro gostoso do torresmo. Me faz ter memória olfativa da casa da minha avó. Sempre que eu passo em frente sinto o cheiro gostoso do torresmo, o que me faz lembrar da minha avó e da casa dela. Toda vez tem aquela fila enorme de pessoas. Acho que o cheiro da fritura do torresmo chama a gente para chegar e comprar."

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Andréa Marra

53 anos - servidora da UEPG

 

"Lembro da minha mãe, dona Geny, conversando com a dona Noemi, irmã do Adi, eu acredito, pelo muro do fundo de casa (fomos vizinhos até eles falecerem), fazendo as encomendas para as festas de fim de ano. A Noemi tinha uma cabeça incrível... as 'continhas' na ponta do lápis, eram mais rápidas do que alguém operando uma calculadora. Outra deliciosa lembrança era o cheiro de torresmo fresquinho, que ansiosa eu esperava pra nossa mãe poder fazer o delicioso pão de torresmo (quando a gente deixava sobrar, pois saímos do açougue já beliscando). Acompanhamos a evolução do açougue. Desde a época em que chegavam os caminhões com os porcos, até os dias de hoje. Sempre foi tudo muito limpo e caprichoso. O que não mudou foi a qualidade do produto e o ótimo atendimento."

Gabriela Nass

confeiteira

 

"Quando criança, lembro de quase toda quinta-feira ir com meu avô ou pai comprar lá, dia em que os produtos eram mais frescos, ou também quando ia viajar para casa de parentes, tinha que levar produtos do Adi, que só existiam aqui e todos amavam. Na minha família, desde sempre, quando vamos fazer charuto ou feijoada, os produtos sempre são comprados lá, é uma memória afetiva muito forte. O charuto, por exemplo, com a massa de linguiça de lá, sempre vendo meu avô e meu pai fazer, traz memórias muito boa da família toda reunida. E, claro, depois que ir ao Adi, passar na padaria São José (quase ao lado) comprar a famosa coxinha."

Michely Manchenho Cavagnari

41 anos - do lar

 

"Sou cliente fiel, tenho muitas lembranças com meu pai e avô! Uma vez, meu pai havia comprado a linguiça defumada, que é maravilhosa, e minha mãe fritou pra comer no almoço. Eu estava com tanta vontade de comer, que comi muitos pedaços, e fui pra escola. Acredite se quiser, eu passei mal na escola, de tanta linguiça que comi no almoço, meus pais tiveram que ir me buscar e levar para o hospital, tive uma congestão, por ter exagerado na quantidade de linguiça que havia consumido! Mas, pelo menos, eu havia 'matado' a vontade de comer!"

Adenilson Ribeiro

47 anos - motorista

 

"Consegui um emprego de vendedor e acabei conhecendo o Açougue do Adi logo quando eu vim de Reserva morar em Ponta Grossa. Lembro-me que quem me atendeu foi o Marcelo, primo do seu Omar, dono do Açougue. Foi assim que conheci os produtos. Eles estão há mais de 40 anos no mercado e continuam com a mesma tradição de vender produtos artesanais."

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Gianna Banat

@gianna.banat

"Amo comprar no Açougue. Aqui em casa, as comidas das datas especiais são feitas somente com os produtos deles. Tive até um déja vu de ver a banca da feirinha do São José com a Noemi. Lembro que a minha filha ficava na pontinha dos pés pedindo patê."

Michel Rosci Marçal

34 anos - assistente administrativo

 

"Conheci o Açougue quando eu ainda era pequeno. Os meninos do Açougue sempre dão um pedaço de linguiça para a Maria quando a avó lhe leva".

Tatiane Aparecida Doszanet

40 anos - analista de seguros

 

"Íamos lá com o meu tio ou pai para comprar calabresa para o almoço ou café."

Débora Rovalaki dos Santos

34 anos - autônoma

 

"Comecei a frequentar o açougue quando criança, por volta de 1996, 1997. É um açougue que traz até o cheiro da infância, pois os produtos têm a mesma qualidade desde aquela época. Lembro quando meu avô, Floriano Kovaleski, ia com seu carro comprar produtos fresquinhos. O cheiro me recorda sábados com pão, patê e café, além de muita conversa com os familiares. Realmente é um lugar que ficou marcado, não só pelo atendimento e ambiente, mas pelo gostinho que levávamos para casa."

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Lucas Klass e sua relação com o Açougue do Adi

empresário e presidente da Abrasel Campos Gerais

por Tamires Limurci

Lucas conheceu o Adi antes de conhecer o açougue do jeito que ele existe hoje. A memória que vem primeiro não é de balcão, nem de fila na calçada, nem de vitrine cheia. É da antiga feirinha do São José, quando as bancas ainda eram de madeira e o chão era de terra. Ele ia com o pai, ainda criança, no meio daquele movimento de feira de bairro, vendo gente chegando, comprando, conversando, carregando sacolas. Foi ali que o nome do Adi apareceu para ele pela primeira vez.

Naquela época, já havia fama. Não era uma fama construída por placa, propaganda ou rede social. Era o tipo de nome que passava de uma pessoa para outra. O pai comprava, conhecia, confiava, e o filho ia junto, vendo aquilo tudo sem imaginar que, muitos anos depois, o lugar deixaria de ser só uma lembrança de infância para virar parte da própria vida.

 

O tempo foi fazendo esse caminho sem pressa. A família dele teve restaurante, os produtos do Adi continuaram entrando na rotina, e muitas vezes era o próprio Lucas quem ia buscar. Já não era mais o menino da feira, mas o movimento era parecido: chegar, encontrar gente, comprar, voltar. Até que a relação ficou mais próxima ainda, deixou de ser só de freguês ou de fornecedor, e passou a ser também de família. Casou com Adilene, a filha mais nova do Adi, e aquele lugar que já vinha de longe ganhou outro peso. A lembrança da feira continuou, mas agora vinha acompanhada de tudo o que veio depois. O balcão, as conversas, o costume, a sensação de que aquele nome fazia parte da cidade e, de algum jeito, também da história dele.

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Foto: Patrícia Câmera

A história começa na cozinha, mas não exatamente do jeito que parece. Lucas já convivia com os produtos do Adi há muito tempo quando surgiu um concurso de comida de boteco promovido pela prefeitura. Ele já estava nesse universo, já entendia o valor da matéria-prima, já conhecia o sabor e a confiança que aquele nome carregava. Foi então que pegou a massa de linguiça, que para muita gente já bastava do jeito que era, e resolveu transformar aquilo em outra coisa. Dessa tentativa nasceu um bolinho que é sucesso no seu Boteco da Visconde. 

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Não surgiu como ideia solta, nem como invenção distante da trajetória dele. Veio justamente dessa convivência longa com o açougue, com a carne, com o tempero, com o jeito de fazer. Ele criou o bolinho, levou para o concurso e deu nome: bolinho caipira. A partir dali, uma coisa puxou a outra. Veio o prêmio, veio o reconhecimento, e o que era uma criação para um concurso acabou virando ponto de virada.

Quando ele olha para trás, vê que esse momento não aparece sozinho. Vem junto com o período em que trabalhou ali, aprendendo um pouco do processo, observando a fabricação dos embutidos, entendendo melhor a comida por dentro. Foi nesse ambiente que o gosto pela gastronomia reacendeu de vez. Também foi ali que encontrou sustento, trabalho e direção. Por isso, quando fala do bolinho, ele não fala só de um prato que deu certo. Fala de uma passagem. De um momento em que aquilo que vinha desde a infância, a feira, o açougue, os produtos, a convivência, acabou empurrando a vida dele para outro lugar.

CRÔNICA

A fila que dobra o tempo

por Érica Busnardo

Na esquina das ruas Marquês de Olinda e Sinimbu, em Órfãs, a fila começa a se formar antes mesmo de o sol esquentar o dia. O cadeado ainda está no lugar, a rua mal acordou e já tem gente encostada na parede, braços cruzados, celular nas mãos, olhando o movimento que ainda nem começou. Um, dois, três. De repente, dez pessoas. Donas de casa com sacola de feira no braço, maridos de bigode grisalho contando causos do futebol, crianças cutucando o pai para comprar a linguiça para o churrasco de domingo. Quando se percebe, a fila, essa entidade democrática que ignora conta bancária ou sobrenome, já dobrou a esquina. E ela cresce. Sem alarde, sem ordem, sem pressa.

 

O destino dessa romaria matinal atende por um nome curto e familiar: Açougue do Adi, que resiste como um pedaço vivo de Ponta Grossa. Ali, a tradição é pesada no quilo e o legado, servido em cortes que alimentam famílias há gerações.

 

A história é dessas que se contam aos poucos, entre um corte e outro. Começa em 1946 com Max Seifert, vindo de Rio Negro, com o sotaque alemão grudado na língua e o ofício nas mãos calejadas. Max fincou raízes em Ponta Grossa e montou um barracão simples para o preparo de carne pelas bandas das Órfãs, quando as ruas ainda eram de terra batida. O abate acontecia no quintal, sem alarde. Dois porcos por semana que, com olho alemão, ele criteriosamente escolhia.

 

Cabia ao filho mais velho, Onivaldo, a venda da carne. Ele caminhava cerca de dez quadras até a Igreja dos Polacos, no centro da cidade, com uma gaiola de carne nos ombros. Pequeno e gordinho, ainda criança ganhou o apelido, desses que grudam sem pedir licença, que atravessaria o tempo: Adi. O nome pegou de tal forma que o de batismo ficou para trás.

 

Onivaldo, o Adi, cresceu e tornou-se cabo do Exército, mas o destino o chamou de volta para casa. Com a morte do pai, nos anos 50, assumiu o avental. Foi ele quem moldou a fama do açougue com a rigidez de quem aprendeu que fazer bem feito não é escolha, é regra. Escolhia cada animal com critério, sustentando um padrão que não admitia descuido. Quando aparecia no local de compra, já avisavam: “Chegou o seu Adi, agora se prepara”. Ele escolhia a dedo, literalmente. Só queria as fêmeas, pois sabia que o temperamento mais calmo do animal resultava em uma carne mais nobre e padronizada.

 

Hoje, quem guarda o portal dessa tradição é Omar Seifert, neto do fundador. Quem o observa percebe que a linhagem dos Seifert é feita de persistência. Omar não planejava ficar, mas em 1994 a vida lhe impôs perdas pesadas. Perdeu o irmão, depois a mãe e, em 2001, o próprio Adi. No balcão, entre a dor e o dever, ele escolheu honrar o sobrenome.

 

Omar conhece cada detalhe do lugar. Carrega no gesto a herança de quem veio antes: o olhar atento, a exigência silenciosa, o cuidado que não se negocia. Ao seu lado, uma equipe que aprendeu no fazer, no tempo e no convívio. Gente que reconhece o cliente pelo nome, pelo gosto e pelo jeito de pedir. É por isso que a fila continua ali, dobrando a esquina, desde antes do CNPJ oficial de 1966, da época em que o letreiro ainda anunciava: “Onivaldo Seifert — Fábrica de Banha e Linguiça”.

 

A produção segue fiel ao que construiu a reputação: carne fresca e trabalho contínuo, sem atalhos. Nada ali conhece o gelo do freezer. Cinquenta porcos chegam semanalmente de uma granja parceira em Castro, que entende o rigor do padrão da casa. As paredes de tijolo maciço e o reboco da década de 40, agora revestidos de azulejo, ainda guardam o frescor de uma época em que a banha era o ouro da cozinha. É dali que sai a famosa linguiça do Adi, que faz curitibanos e paulistas desviarem a rota só para garantir uns quilos no porta-malas.

 

Omar sorri por trás do balcão, um sorriso que guarda o sotaque de Max e a disciplina de Adi. Ele sabe que aquela fila não busca apenas a melhor carne da região, mas o conforto do que permanece igual em um mundo que muda rápido demais. Entre um “bom dia” e um corte escolhido a dedo, o Açougue do Adi segue sendo o coração pulsante de Órfãs.

 

A raiz está fincada na rua, na memória de Ponta Grossa e nas paredes que preservam a construção original. No meio disso tudo, a história segue sendo construída todos os dias: no balcão, na conversa e no cuidado repetido. Porque, no fim, o Açougue do Adi não é só um negócio. É continuidade. Uma história sustentada por um princípio simples, repetido ao longo das décadas: fazer bem feito. Sempre.

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Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski

Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo

Narração do podcast: João Agner

Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,

João Fogaça e Vinicius Orza

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