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Gruta Santa Mônica

BAIRRO:
Jardim Carvalho

Ponto central do Jardim Santa Mônica desde 1994, a água que brotava neste local abastecia os moradores de toda a vila no seu início. A gruta como conhecemos hoje foi construída em 2004 pelo artista Arno Felix Vaccari. O nome oficial veio em 2007: Gruta Santa Mônica e São Marcelino Champagnat. Em 2023, o local foi tombado como patrimônio histórico de Ponta Grossa.

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Valdirene Andr Santos

@valdirene5786

 

"O lugar antigamente era uma plantação de milho. O ex-prefeito Wosgrau era dono das terras. Depois ele vendeu para a Prolar, que vendeu os lotes. Ali, antes da gruta, tinha somente o olho d’água. O ex-prefeito Péricles construiu a gruta onde tem a imagem de Santa Mônica. No começo da construção das casas na Santa Mônica, faltava água da rede Sanepar, e nós optamos em buscar água do olho d’dágua que tem na gruta. Era a única fonte de água, para fazer comida e higienização. O pessoal da Escola Marista Santa Mônica e da Capela Menino Jesus faziam encenações da morte na cruz de Jesus de Nazaré por lá, era muito lindo! O local tem uma importância religiosa para a cidade. É um ponto turístico com natureza e praça para as crianças.

Péricles de Holleben Mello

71 anos - professor aposentado e ex-prefeito

"A obra da Gruta Santa Mônica foi realizada pelo artista plástico Arno Félix Vaccari durante a minha gestão e inaugurada em dezembro de 2004.Juntamente com a construção da gruta, implantamos várias melhorias, como ajardinamento e construção de uma quadra de futebol suíço em saibro, com iluminação e alambrado. Havia no terreno várias vertentes de água."

Rafaela Costa de Almeida

28 anos - maquiadora

 

"Quando eu era criança, ia muito à Gruta do Santa Mônica com meu pai e meus amigos. Lembro de ajudar o meu pai a lavar a moto enquanto brincávamos na água que jorrava da gruta. Era um momento simples, mas muito divertido da minha infância."

Maria Lúcia de França Ribeiro

59 anos - zeladora

 

"A praça da Gruta passou a ser um local muito importante do Jardim Santa Mônica, ela traz lembranças e representa o nosso bairro. Ali foram realizados muitos eventos religiosos. Eu e minha família participamos de muitos teatros. No nosso teatro, a mãe do Tiago fez Maria, e ele fez o papel de menino Jesus. Foram momentos muitos especiais que marcaram a nossa vida e a história da Gruta da Santa Mônica."

Andriele Ferreira de Lima

39 anos - auxiliar de produção

 

"Conheci a Gruta Santa Mônica assim que foi inaugurado. Eu acho um lugar bonito, onde crianças podem brincar e se divertir. Lembro que na Gruta, perto da Páscoa, eles faziam um teatro sobre a Paixão de Cristo. As pessoas que iam pra assistir enchiam a praça. Era muito lindo!"

Daiane Priscila Siqueira de Oliveira

38 anos - coordenadora de RH

 

"Conheci a Gruta Santa Mônica quando casei e vim morar no bairro. Passamos a frequentar após o nascimento do meu filho. Depois que construíram o parquinho durante a revitalização do espaço, as crianças geralmente que estudam juntas se encontram por lá e podem aproveitar as tardes, geralmente nas férias. Então, para eles, rende muitas histórias e brincadeiras."

Jean Carlos Rocha de A. Klock

35 anos - funcionário público

 

"Morava próximo quando a Gruta foi construída. Quando criança, eu e meus amigos brincávamos por ali e no campo ao lado, soltando pipas. Ou seja, ela me traz lembranças de diversão e alegria."

Sirlene Ap. Aily

42 anos - cozinheira

 

"Conheci a Gruta Santa Mônica em 2005. Na época eu tinha meus três filhos pequenos. Quando eu chegava do trabalho às 15h já podia ter certeza que os três estavam brincando na água da gruta. Lá tinha uma água muito boa que jorrava de cima dela. É um lugar sagrado, onde podemos rezar, nos exercitar e brincar."

Miriam Lopes

30 anos - auxiliar de farmácia

 

"Quando eu morava em outra cidade, sempre vinha passear na casa da minha avó, que na época morava na Santa Mônica. Sempre em dias de calor, um tio (já falecido) levava eu e meus primos para se molhar lá na Gruta, e nós adorávamos. Hoje em dia já não sei como está, nem se ainda existe."

Pedro Rafael Bolú

9 anos - estudante

 

"Tenho várias lembranças, mas gosto mais do dia em que o sol estava muito quente, e jorrava água de cima da Gruta. Brinquei com meus amigos a tarde toda e ainda nadei no laguinho que tem lá. Minha avó contou que as vertentes da Gruta já ajudaram muita gente quando faltava água na região."

Ronaldo Freire

54 anos - catador de recicláveis

 

"No começo era uma mina de água bem limpinha. Eu tomava água ali com minha esposa."

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CRÔNICA

Santa Mônica e a fé que brota na gruta

por Érica Busnardo

Regina chegou ao Santa Mônica em 1994, carregando caixas, sonhos e a fé que só quem muda de endereço entende. Naquele tempo, no lugar onde hoje está a gruta, o que brotava não era prece, eram pés de amora. Amora miúda, de manchar os dedos e a roupa, daquelas que a gente come direto do pé, sem culpa. A mina já estava lá. Água farta, fria, de correr entre as pedras como quem escapa do tempo. Foi a própria comunidade que moldou seu curso, com manilhas e mãos calejadas, e lavavam roupa ali, tomavam banho, enchiam garrafas pra beber e benzer. Água de sustento e salvação.

O encanamento era raro, mas milagre não. O milagre morava ali, ao lado das amoras. A santa chegou depois. E trouxe consigo o silêncio respeitoso das mães que ajoelham e choram, tendo ao fundo somente o barulho da água que escorre, mansa pelas pedras. Santa Mônica, a mãe de Santo Agostinho, foi uma mulher de fé perseverante, que orou a vida inteira pela conversão do filho. E conseguiu. É por isso que tantas mulheres ainda hoje vão à gruta erguida por mãos humanas, simples e acolhedora, onde a santa repousa entre flores de plástico e promessas de carne e osso. Rezam por seus filhos, os que foram, os que se perderam, os que precisam voltar.

A gruta virou ponto de encontro, de partilha, de prosa. Ali já teve batizado, roda de viola, brincadeira de criança e até benzimento. A fé ali não tem cercado. Católico, evangélico, espírita, umbandista. Todos param. O que se cultua ali talvez nem seja exatamente a santa, mas a esperança.

Mas nem só de fé e festa se faz o Santa Mônica. Tem também uma dor antiga, que vez ou outra alguém sussurra, como quem pede licença à memória. Era carnaval. A cigana não sairia naquele ano. Sempre desfilava pela Baixada Princesina Santa Mônica, entre o batuque da comunidade e o balanço das saias rodadas. Mas aquele fevereiro resolveu ser cruel. Três rapazes a sequestraram, torturaram e a deixaram largada, quase sem vida, próximo à gruta. Ficou dias na UTI, depois foi levada para o Rio Grande do Sul, onde morava a família. Morreu longe da gruta, mas sua história ficou. Uns dizem que o fato afastou o povo do local. Outros que a reacendeu.

Um dos assassinos confessou o crime. Não aguentou o peso. Dizem que, como vingança, o pai de um deles foi morto pelos ciganos. Outros juram que foi justiça dos de cima. Fato é que a gruta passou a ser também guardiã do silêncio, da dor que ninguém explica, da violência que não deveria morar onde mora a fé.

Mesmo assim, a vida seguiu. As amoras viraram lembrança, a água segue fluindo. As mães continuam a ir. Os filhos às vezes voltam. E Regina, que viu tudo isso acontecer desde 1994, ainda passa por lá. Pra rezar, conversar, ou só molhar as mãos naquela mina que não seca. Porque, no Santa Mônica, onde a fé brota do chão e a esperança escorre pelas pedras, sempre tem alguém chegando, pedindo, agradecendo ou apenas lembrando que ali, um dia, nasceu uma oração.

Hoje, no lugar das amoreiras há uma praça, cercada por um espaço verde onde cavalos pastam como se o mundo ainda fosse simples. Uma academia ao ar livre, mesas de concreto aquecidas pelo calor do sol, um tranquilo laguinho onde a mina deságua e uma ponte nostálgica que atravessa o espelho d’água compõem o cenário e convidam a comunidade a chegar, pra rezar, pra conversar, pra simplesmente estar.

Uma amoreira persistiu. Insistiu no tempo. Brotou em cima da gruta de gesso e ainda resiste, oferecendo amoras tão doces quanto as do passado. Ficou para lembrar que a esperança tem raiz. Tão teimosa como a água que nunca deixa de correr, discreta como a fé que não precisa se anunciar e mansa como a sombra que acolhe quem chega pra rezar.

Onde antes brotavam amoras, hoje floresce esperança.

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Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski

Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo

Narração do podcast: João Agner

Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,

João Fogaça e Vinicius Orza

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