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Instituto
João XXIII

BAIRRO:
Colônia Dona Luiza

Criado em 20 de maio de 1967, o Instituto João XXIII surgiu da articulação entre poder público, Igreja e comunidade, com o objetivo de acolher crianças em situação de vulnerabilidade. O atendimento iniciou em 1974 e, em 1976, passou à Congregação Sagrada Família de Nazaré. Atualmente, desenvolve atividades no contraturno escolar, com ações educativas, alimentação e formação para crianças e adolescentes.

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Silmara Paes

45 anos - vendedora

 

"Quando eu era criança já existia o Instituto naquele período. Guardo boas lembranças, festas e amigos que moravam lá e estudavam comigo na escola. Lembro que íamos brincar de Beto Carrero e comer mimosa. Era muito bom, pena que agora não podemos mais fazer isso."

Matheus Serenato

@matheus.serenato

 

"Tenho inúmeras memórias boas no Instituto. Desde ir à tarde brincar com os piás, de retiros, de aproveitar e servir nos almoços do Dia do Trabalho ou nas deliciosas noites das massas. Mas o mais especial, foi ter o momento mais marcante da minha vida lá, o meu casamento. Foi muito bonito ter isso em um lugar que marcou a minha história e é tão maravilhoso."

Marisete Ribas

44 anos - cozinheira

 

"A vida é feita de pequenos detalhes, e ali é mais que um lugar onde meus filhos aprendem a base da vida. Nós somos sempre tratados com muito respeito e com todo o amparo necessário. Todo esse carinho faz muita diferença e será sempre lembrado."

Rozineli Salamovic

41 anos - cozinheira

 

"Conheci em 2017, quando a minha filha começou a estudar no Instituto João XXIII. É um lugar de paz, onde sempre participo das vias-sacras e missas com a minha família. A missa do Jubileu de Ouro que participamos na capela do Instituto foi muito linda e marcante."

Dayane Alais Sristum

35 anos - advogada

 

"Conheci o Instituto João XXIII ainda na minha infância. Eu estudei na escola anexa ao Instituto e também morava no bairro, então esse lugar sempre fez parte da minha vida, desde pequena. Esse lugar representa muitas lembranças importantes da minha infância e juventude. Foi ali que fiz amizades, convivi com os padres e participei de várias atividades. Uma lembrança muito especial foi quando eu fiz parte da banda marcial do Instituto, participando da linha de frente, onde participei de vários campeonatos de bandas. Também foi na igreja do Instituto que aconteceu meu casamento com o pai da minha filha Lavínia. Hoje seguimos caminhos diferentes, mas guardo com carinho as boas lembranças e as fotos lindas dos momentos nesse lugar especial."

Stefhany Soemia

@stefhanysoemia

 

"O Instituto marcou a vida de muitas crianças que passaram por lá, e eu sou uma delas. Foi ali que estudei e aproveitei cada oportunidade que nos era oferecida. Vivi momentos únicos, fiz amizades que levarei para sempre e conheci pessoas incríveis e muito importantes, inclusive meu namorado. Mas, acima de tudo, foi lá que conheci a obra de São João Batista Piamarta e compreendi o imenso bem que ele fez e ainda faz na vida de tantos jovens. Um legado de amor, educação e cuidado. São João Batista Piamarta, rogai por nós!"

Enzo Gabriel Ribeiro

9 anos - estudante

 

"Vou nesse lugar desde quando eu era pequeno, no ano de 2019/2020. É um lugar legal e puro, cheio de árvores e que sempre acolhe quem precisa. Lembro dos passeios do CMEI e da escola, onde íamos até lá para brincar de bola, pega-pega e outras brincadeiras legais no campo do Instituto João XXIII."

Vitor Emanuel Hey Silva

8 anos - estudante

 

"Já teve festival de música e jogos por lá."

Jody Nunes dos Anjos

8 anos - estudante

 

"Eu brinquei, aprendi, andei de ônibus, comi e orei." 

Camilly Victória Hey Silva

8 anos - estudante

 

"No Instituto tem uma piscina. É muito legal."

Andréia Regina Ferreira

42 anos - diretora escolar

 

"Este é um lugar de paz e acolhimento. Nestes anos que estou trabalhando aqui na Escola Municipal Padre José Bugatti, foram muitos os momentos marcantes, pois eles sempre nos acolhem e nos ajudam com os trabalhos e projetos a serem desenvolvidos na escola. Como a Invasão Poética, festa junina, entre outros eventos. E o que mais me marcou foi o carinho que recebemos na Invasão Poética."

Adriane Gaioski

36 anos - professora

 

"O Instituto representa acolhida e cuidado. Lembro de um evento marcante em 2013, quando realizaram um almoço especial de Dia das Crianças com muitas brincadeiras."

Juliane Rodrigues Cavalcante

29 anos - professora

 

"Conheço esse lugar desde pequena, com 11 anos, quando estudei na escola anexa ao João XXIII. Representa parte da minha história e infância. Lembro dos amigos que fiz ali como aluna e depois, com 25 anos, quando trabalhei no SCFV, um dos projetos que o João XXIII realiza para acolher crianças em situação de vulnerabilidade."

Claudia Moraes

40 anos - professora

 

"Me lembro de quando desenvolvemos o projeto Literatura e Poesia, onde cada turma da nossa escola apresentou um poema para alunos e funcionários presentes no Instituto João XXIII. Foi emocionante. Depois os alunos puderam brincar e correr pelo campo de futebol do espaço."

Andréia Aparecida Alves

50 anos - professora

 

"Levar meus alunos para apresentar um texto sobre a invasão poética foi uma experiência incrível. Esse lugar representa um espaço de aprendizado e crescimento."

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CRÔNICA

A casa que permanece

por Érica Busnardo

O Instituto João XXIII não se define por portões ou paredes. Ele se revela nos cantos silenciosos, nas paredes que já ouviram confidências e nos passos que aprenderam a caminhar juntos. Em 2026, a instituição celebra seu cinquentenário. É meio século de histórias de crianças e adolescentes que, em diferentes tempos e formatos, chegaram com vidas incompletas e encontraram um lugar que os acolhe por inteiro.

Harrison José Paes é uma dessas vidas. Chegou ao Instituto em 1986. Na bagagem, além da mala com poucas roupas, trazia o medo e a incerteza. Ele se lembra bem da primeira noite. Diante de tantas crianças reunidas e pessoas desconhecidas, o estranhamento foi imenso. O que ele não sabia é que aquele sentimento viraria pertencimento, que o medo viraria memória e que a solidão, com o tempo, daria lugar à irmandade dos dias compartilhados. Hoje, adulto, Harrison retorna àquela casa não mais como menino, mas como alguém que revisita a própria história. Ao compartilhar suas memórias, transforma o que viveu em legado e encontra uma forma de retribuir o cuidado que recebeu.

Há cinco décadas o Instituto João XXIII armazena histórias e memórias como a de Harrison. A instituição é exatamente o que seus fundadores sonharam: um farol. Ali, onde o Estado muitas vezes não consegue chegar com a mesma afetividade e alcance, a entidade estabelece o diferencial: não apaga a trajetória de ninguém, mas a reorganiza. Cada jovem que passa por aqueles portões encontra espaço para crescer, aprender e transformar o próprio caminho, carregando os valores e a memória de quem o amparou.

Nesse tempo de história, o Instituto passou por mudanças. Do modelo de internato masculino, passou, a partir de 2014, a um novo formato, no contraturno escolar, ampliando o atendimento também para meninas. As crianças chegam de manhã ou à tarde.

 

Há café, tarefas, escola e horários rígidos para estudar, brincar e descansar.  É uma rotina que ensina, pouco a pouco, a organizar o tempo, o estudo e o próprio lugar no mundo.

Atravessando todas essas transformações, há quem tenha permanecido na condução desse cotidiano. David Pillati Montes, aos 90 anos, guarda consigo um pedaço vivo dessa cronologia. Empresário e escritor respeitado na cidade, é presença constante na administração do Instituto, onde atua de forma voluntária ao longo dos anos. Décadas atrás, ele ajudou os padres italianos a conquistar o terreno onde o Instituto seria erguido.

 

Naquela época, o espaço era simples, com um barracão antigo e casas de madeira. David lembra das visitas ao lugar, às vezes à noite com uma lanterna, tentando enxergar cada detalhe, outras vezes durante o dia para compreender melhor o espaço. Foi ele quem elaborou o projeto de cessão e o defendeu na Câmara Municipal. O documento que garante aquele começo ainda está com ele, guardado há cinquenta anos como se fosse a primeira pedra de um lar que viria a abrigar multidões.

Atualmente, ele acompanha com atenção a continuidade desse trabalho, nota a renovação da diretoria e acredita que o legado permanece vivo. Para David, o impacto mais significativo da instituição é oferecer oportunidade a quem vive em vulnerabilidade. Ele fala com orgulho dos ex-alunos que passaram por ali e seguiram a vida com o que aprenderam a fazer e a ser. Engenheiros, agrônomos, advogados, professores, profissionais que levam a disciplina e os princípios que receberam ali.

Essa formação educacional e religiosa recebida tornou-se um pilar que atravessa gerações e permanece como referência. Hoje, Harrison conta para filhos e netos os ensinamentos e os bons momentos, enquanto ressignifica os capítulos difíceis. Ele mostra as cicatrizes e, por isso mesmo, sua voz inspira. Prova que, mesmo em contextos adversos, há espaço para a superação. Ao dividir suas lembranças, Harrison transforma sua trajetória em legado, mostrando que é possível reacender esperanças.

  

É assim que o Instituto segue, de uma infância para outra. Atualmente, 135 crianças passam por ali diariamente. Estudam, comem, brincam e seguem suas vidas, mas a essência permanece.

O João XXIII nunca foi sobre o tempo que se passa dentro dele, mas sobre o que se leva quando se vai embora. Isso aparece anos mais tarde, na forma como alguém olha para trás e reconhece caminhos onde antes havia apenas dificuldade. Há vidas inteiras espalhadas pela cidade carregando, muitas vezes sem perceber, pedaços daquele lugar. Porque, no fim, uma casa não é onde se habita, mas aquilo que permanece em nós.

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Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski

Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo

Narração do podcast: João Agner

Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,

João Fogaça e Vinicius Orza

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