
Calçadão
BAIRRO:
Centro
De rua movimentada de carroções na década de 1930 ao principal centro comercial e social da cidade, este lugar guarda ricas construções arquitetônicas da década de 1950. A rua homenageia o Coronel Cláudio Gonçalves Guimarães, nomeado em 1890 como primeiro interventor de Ponta Grossa. Em 1994 a rua foi transformada em espaço para pedestres.

Aline F. Ribeiro Mayoski
35 anos - gerente
"Eu morava na cidade vizinha de Carambeí e sempre vinha com minha mãe pra Ponta Grossa fazer compras. Lembro que, na época, era como se fosse um evento [risos]. E o Calçadão era o foco principal, pois tinha - e ainda tem - de tudo. Até hoje eu gosto de andar pelo Calçadão. Representa um lugar alegre, pois tenho muitas lembranças da minha mãe nele."
Lavínia Aparecida M. de Lima
9 anos - estudante
"Eu conheci esse lugar com 5 anos. Eu lembro de estar tomando sorvete com minha mãe, sentada ao lado da sorveteria, vendo as pessoas passarem. E também fomos nas lojas para comprar várias coisas, como bobbie goods, caneta, laço para cabelo e muito mais."
Rodrigo Alberto Pogeski
55 anos - empresário
"Ali foi onde comecei a trabalhar, em 1988. O lugar chamava-se Casa do Povo. Todos os dias, quando abríamos a loja, a dona Frida Skora era muito supersticiosa, colocava um pó branco pela loja toda até a porta, dizia que chamava cliente. Eu duvidava, mas o fato é que, passados alguns minutos, a loja enchia de clientes e eu ficava perplexo."
Saynor Diniz Garczarek
28 anos - administrador
"Dona do "chip da Tim", homem do bolo de polvilho, antigo Mercado Condor, Loja do 10, Lojão do Keima, Sul Center, Loja Losango, a famosa Xuxa do Calçadão, Bastião Papai Noel e Stallone fizeram parte da minha infância e da memória de Ponta Grossa. O Calçadão representa história, trabalho, batalha, sustento, família, desenvolvimento."
Larissa Ap. Martins
36 anos - auxiliar administrativa
"O Calçadão em Ponta Grossa é um misto de alegria e nostalgia, até hoje quando passo por ali lembro de muitas coisas. Sempre nos finais de ano íamos para o Calçadão comprar roupas, pois naquela época era só no Natal que ganhávamos algo novo, era só alegria. Esperava o dia de sábado animada, e sério: parecíamos a 'família buscapé', porque ia todo mundo para aproveitar bem. Primeiro íamos no Parque dos Mamonas, que era incrível, e logo depois para o Calçadão fazer lanche e comprar nosso look de Natal. Era mágico esse dia."

Alexsandro da Silva
36 anos - analista comercial
"Quando estudava no Colégio Regente Feijó esse era meu trajeto diário para ir pra escola e gostava de passar por ali, pois todo dia via gente diferente. Por incrível que pareça, nunca eram as mesmas. Foram alguns anos assim, até que terminei meus estudos e não precisei mais realizar esse trajeto com os mesmos horários e dias. Sinto saudades."
Leiliane O. da S.
28 anos - autônoma
"Olha, eu conheço o Calçadão faz tempo. Eu sempre passeava com minha mãe quando vínhamos para Ponta Grossa. Esse espaço traz muitas memórias felizes. Me divertia muito, tomava sorvete e ia nas lojas. Minha mãe me trazia, quando eu era pequena, para comprar materiais escolares e, pra mim, era muito legal, parecia tudo divertido e amava os mais simples detalhes. Boas lembranças."
Ana Paula Horst de Mello
44 anos - cozinheira
"Tem tudo nesta rua: sorvetes, pipocas, cachorro-quente, roupas e brinquedos. Conheço o Calçadão desde pequeno. Minha mãe costumava passear comigo ainda bebê. Sempre íamos na lanchonete do chinês, comíamos pastel, que é o melhor de todos, e uma gasosa bem gelada."
Adimirton Cunha Junior
35 anos - motorista de caminhão
"A lembrança marcante que eu tenho do Calçadão é de um homem que vendia coxinha em uma barraquinha azul ao lado do mercado Condor. Quase sempre que minha mãe podia, ela comprava para mim uma coxinha e uma lata de Coca. Era grande minha alegria e o homem era muito simpático."
Melany
10 anos - estudante
"Como não sou natural de Ponta Grossa, só em 2020 vim para cá, e com isso fiquei encantada com todas as lojas, com as coisas bonitas e fofas e legais. Eu amo ir no Pão de Queijo. Teve uma vez que eu convulsionei e fiquei branca e isso é marcante pra mim, mas já superei e hoje vou fazer 11 anos e foi bem legal as outras vezes."
Douglas Felipe de Oliveira Ferreira
18 anos
"Me marcou muito a véspera do Natal de 2014, quando eu tinha 7 anos de idade. Chegou um dia antes do Natal e minha mãe tinha pego o acerto da firma. Ela mandou a gente se arrumar para sair. Nos arrumamos e fomos para o Calçadão tomar sorvete e comprar jogo para o PS2."
Eduardo Godoy
34 anos - produtor cultural
"Em 2018, quando eu trabalhava como Diretor de Cultura da Fundação Municipal de Cultura, fizemos uma ação literária no Calçadão que me marcou. Instalamos 28 placas com poesias de autores paranaenses nos postes republicanos ao longo do Calçadão durante o VII Festival Literário dos Campos Gerais (Flicampos), que tinha naquele ano o tema 'Paraná em prosa e verso' (aliás, naquele ano toda a programação realizada pela Fundação foi focada no que chamamos de 'Ano da Cultura Paranaense em Ponta Grossa'). Fiz a curadoria das poesias selecionando autores consagrados (Paulo Leminski, Helena Kolody, Dalton Trevisan, Emiliano Perneta, Cristóvão Tezza, Miguel Sanches Neto, Luci Collin, Anita Philipovski, Alice Ruiz, Hélio Leites, Domingos Pellegrini, Heitor Stockler de França, Eno Teodoro Wanke e Emilio de Menezes), juntamente com autores ponta-grossenses em ascensão (Kleber Bordinhão, Fernando Bertani, Nicoly França, Edmundo Schwab, Isadora Camargo, Melissa Ribas, Rosana de Holleben, Ana Carolina Gilgen e Elioenai Padilha). Queria que tivesse a surpresa das pessoas que passam pelo Calçadão, por isso, eu e minha equipe (duas pessoas) fizemos a instalação das placas à noite, um dia antes do início do evento. Aquele Calçadão vazio e a gente instalando placas nos postes com abraçadeiras tarde da noite! Fazia 3 meses que eu e a Rafa tínhamos começado a namorar e ela estava junto ajudando também. Deu um baita de um trabalho, mas no final o resultado foi muito positivo! Foi realmente impactante para o público e ficou visualmente muito bonito naquele espaço. Muitos paravam de placa em placa pra ler as poesias. Outros andavam em zigue-zague pra conseguir ler enquanto caminhavam. Muita gente tirava foto da poesia que mais gostava. Foi uma das ações artísticas que inventei que mais sinto orgulho, pela popularização da poesia no dia-a-dia. Além disso, no mesmo evento também montamos um palco no meio do Calçadão pra apresentação de causos. Levamos contadores de histórias populares, sempre na hora do almoço e no final da tarde. Foi um sucesso!"


Caroline Nascimento da Silva
32 anos - técnica em enfermagem
"Era inverno e minha mãe nos levou para comprar roupas, isso acontecia uma vez por ano, eu lembro que eu queria muito picolé e eu já estava com gripe, então minha mãe falou que tinha um novo picolé, só que era quente. Ela foi e comprou na creperia um crepe pra mim e eu fiquei tão maravilhada com aquilo! Melhor lembrança que tenho. Hoje não tenho mais ela, mas o Calçadão me lembra o amor da minha mãe."
Cristiano Robson Prestes
51 anos - advogado
"Tenho grandes lembranças das muitas vezes que fui ao centro da cidade, quando criança, e lembro-me principalmente da antiga rua Coronel Cláudio, que atualmente é o Calçadão da Coronel Cláudio. Lembro-me das calçadas estreitas e do grande fluxo de carros que havia naquela rua. Eram carros estacionados dos dois lados e ainda tinha a empresa Adriática, com grande movimento naquela região. Ainda caminho pelo Calçadão. Ali foi o meu caminho durante anos até o Terminal Central, saindo da faculdade ou da igreja."
Luana Laroca Ross
30 anos - farmacêutica
"Já socorri uma pessoa que estava passando mal no Calçadão, ajudei a pessoa a se recuperar e depois a chamar os amigos próximos."
Tico
49 anos - motorista
"O Calçadão é um lugar onde há várias histórias de pessoas, principalmente de um vendedor que vendia pilhas: 'uau, uau, 4 pilhas 1 real'. Ficou guardado na lembrança!"
Aline Lucio J. Amaro
33 anos - do lar
"Eu amo o Calçadão. É um lugar bom pra passear e lindo de se ver. Um dia estava passeando pelo Calçadão e vi uma pessoa necessitando de comida. Daí eu ajudei e ela ficou feliz."
Laura Mendes Gorchacosky
10 anos - estudante
"Lembro do dia em que fui pra inauguração de uma loja e encontrei o Palhaço Pop no Calçadão. Ele me deu um balão em forma de coração para guardar de recordação."

Giliane dos Santos Silva
31 anos - professora
"Não é apenas um centro comercial, é um arquivo de memórias afetivas, palco de uma infância compartilhada. Sempre no início do mês, após minha mãe receber o salário, íamos para o Centro, eu e ela, passear no Calçadão e fazer compras. Pra mim, é algo muito significativo, é uma memória afetiva e um elo entre nós duas."
Laura S. Gomes
32 anos
"Lembro que sempre que minha mãe vinha pro Centro eu pedia pra ir junto, pois gostava de olhar as lojas que tinham ali no Calçadão, comer o famoso enrolado do 'Chang' e, na volta, passar com ela pra ver a Brasília dos Mamonas Assassinas e o trem que tinha ali no Parque Ambiental."
Lucinéia Francino
50 anos - autônoma
"Quando chegamos a Ponta Grossa, em 1995, o Calçadão ainda era uma simples rua. Depois fizeram o Calçadão e anos depois ampliaram. Lembro quando tinha a Casa China, e eu, como artesã, sempre ia lá comprar cola quente e muitos outros artigos."
Maria Helena Frerstemberg Krussan
9 anos - estudante
"Quando tinha 1 ano e meio, e estava com meu pai no Calçadão, a amiga da minha mãe não reconheceu meu pai e ligou para a minha mãe desesperada. Falou que meu pai me sequestrou, só que ele não me sequestrou."
Angelis Ap. do Santo
33 anos - personal training
"Somos de Piraí do Sul, e quando viemos morar em Ponta Grossa meu marido não conseguia emprego. Então, vendíamos brigadeiro no Calçadão: eu grávida de 8 meses, meu filho de 1 aninho e meu esposo. É um lugar que eu gosto por me lembrar festas, final de ano e onde sempre que preciso de alguma coisa tem."
Jéssica Helena Kolachzuski Mastetote
31 anos - vendedora
"Lembro bem das vitrines do Leão Center e Tango (Maxi-Tango). E, claro, da clássica '4 pilha, 1 real'. Eu e meu irmão temos uma foto em frente à Maxi. Boas lembranças. E hoje passo em frente e vejo como tudo mudou."
João Ricardo Pinto
57 anos - pintor imobiliário
"Conheci a rua antes de se tornar o Calçadão. Ela representa o modernismo da nossa cidade. A história mais marcante pra mim foi ter conhecido meu primeiro amor. Ali, até hoje é grande ponto de encontros e também de desencontros."
Rosenilda de Fátima Nascimento
48 anos - do lar
"Há muitos anos, o Calçadão é o caminho mais frequentado por todos. Um certo dia, andando pelo Calçadão, me deparei com uma pessoa que não conhecia. Eu ia pra lá, ela ia também. Eu vinha pra cá, ela vinha também. Não conseguíamos ir para o lado certo. Parecia que estávamos dançando. Foi terrível, que vergonha!"
Joselan Saulo Ramos Queiroz
52 anos - operador de máquina
"Lembro do Calçadão quando ele foi inaugurado. Representa a memória da antiga rua Coronel Cláudio, que tinha comércio central. Nos feriados mais importantes se concentram as compras e presentes, como no Natal, Páscoa, Dia das Mães e outros."
Rogério Padilha de Sousa
40 anos - técnico eletromecânico
"Minha filha fez o primeiro corte de cabelo em um salão no Calçadão. Vimos ele por um bom preço. Com o dinheiro que sobrou ela comprou o que mais gostaria."
Fernanda Oliveira
32 anos - auxiliar de saúde bucal
"No Natal saíamos a noite pra comprar presentes e ver as decorações e Papai Noel nas lojas."
Mateus Caetano Ferreira
9 anos - estudante
"É um lugar muito alegre. Gosto quando tem apresentação do Palhaço Pimentinha."
Alexander Ingechar
28 anos - serviços gerais
"O Calçadão representa muitos empregos para a população de Ponta Grossa."
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Daniela Guimarães
32 anos - auxiliar de produção
"O sonho da minha filha era conhecer a Xicória, a mascote da MM. Uma tarde de sábado estávamos passeando no Calçadão e encontramos a Xicória, minha filha ficou toda feliz e foi logo tirar fotos. É um ótimo lugar para tomar sorvete entre família."
Camila Espig
30 anos - comerciante
"O Calçadão foi o primeiro ponto que conhecemos quando viemos morar em Ponta Grossa, há 12 meses. É marcado pela diversidade e por experiências que vividas e ocupadas ali se concentram. Por manifestações e memórias que ajudam a compreender o papel do local na vida urbana da cidade."
Jaqueline Fátima Souza de Quadros
28 anos - analista de qualidade
"Tenho algumas lembranças do Calçadão em passeios com meu pai. Todo início de mês, em data de receber pagamento, ia com meu pai ao Centro da cidade e fazíamos um lanche na lanchonete do Calçadão e comprávamos um brinquedo em alguma loja também do Calçadão."
Larissa Conte Kellen
32 anos - empresária
"Quando eu era criança eu vinha passear com minha mãe. Representa gasto, pois tudo o que eu preciso para casa e presente eu encontro lá. Toda vez que eu vou no Calçadão com meus filhos ou minha mãe, nós paramos pra tomar um café com salgado no 2.000. E lá temos esse momento juntos, conversando e comendo, super recomendo. Nós todos amamos."
Anatan Nunes da Silva
34 anos - professora
"Lembro que, quando era criança, a mãe ia receber seu pagamento e era sagrado chegar em uma lanchonete chamada 'Mr. Frog'. A mãe deixava escolher um lanche e um suco. Com o passar dos anos, fui crescendo e foi se perdendo esse costume. Hoje em dia não existe mais essa lanchonete, ficou na lembrança."
Margarete Przybysz
@mmargap
"O Calçadão já foi rua. Os carros transitavam por aquele espaço minúsculo. Lembro de quando, junto com alguns amigos, descemos de ônibus no Terminal Central e passamos por essa rua para irmos até o Cine Império assistir o filme em cartaz da época, chamado 'Meu Primeiro Amor'".
Thaís Cristina dos Santos
assistente social
"Desde criança trabalhei com minha mãe como diarista e vendedora, e sempre vendíamos produtos no Calçadão. Um dia, por volta de 1999, uma moça perguntou se nós conhecíamos o Bolsa Escola e o PETi. No começo tive medo, pois sofria muitas ameaças do Conselho Tutelar por estar trabalhando enquanto era menor de idade. Eu entendia que era errado, mas acreditava ser necessário.
Minha mãe foi encaminhada para o SOS e lá se cadastrou no Bolsa Escola, e enfim a vida parecia que iria melhorar. Devido a convivência, conheço duas pedagogas e uma estagiária de Serviço Social, que em 2007/2008 falavam muito sobre universidade. Nessa época, eu trabalhava como catadora de materiais recicláveis, junto com meus quatro irmãos, e só minha mãe. O Bolsa Escola/Bolsa Família não era suficiente. Ali a estagiária de Serviço Social conseguiu uma bolsa de um mês para preparação para o vestibular e uma professora de Direito, amiga dela, pagou meus livros.
Em 2008, passei em Letras, mas achava que eu não conseguiria trabalho, não entendia, e como gostava do pessoal do Bolsa Família queria fazer Serviço Social. Então, em 2010, consegui entrar no curso, finalizei em 2014 e logo tive a oportunidade de atuar como assistente social nos três anos seguintes. Iniciei uma pós-graduação e um mestrado em 2019 que me oportunizaram estar como professora nos quatro anos seguintes.
Eu finalizei meu doutorado em 2025, e certamente ainda estou em busca da ascensão de classe, pois a vida não é um filme com final feliz. Porém, acredito que se não fosse esse primeiro olhar humanizado no Calçadão, a vida da minha família teria sido bem diferente, e eu não seria quem sou hoje. Esse é meu relato, e meu agradecimento pelas profissionais maravilhosas que conheci, em especial à Mônica, técnica hoje no CRAS Nova Rússia, e à Fernanda, na época, estagiária de Serviço Social no Bolsa Família."
Fabiana do Rocio Sampaio
46 anos - vendedora de doces
"Calçadão é onde vendo minhas balas gomas, minha venda para casa. Um momento que me marcou foi quando eu tive o gosto de conseguir vender todas as minhas coisinhas, bolos, etc."
Raiane da Aparecida Faria
35 anos - do lar
"Eu cresci indo com minha mãe-vó para o Centro e o Calçadão. Era o lugar mais legal por ter muitas lojas e também foi ali o meu primeiro trabalho, na loja Clube do Pé - até o momento meu único trabalho. Trabalhei por 5 anos, e foi um tempo maravilhoso, foi ali que conheci meu esposo. Me lembro que ele chegou e me perguntou quanto era o valor do celular que os ambulantes vendiam no Calçadão em frente à loja que eu trabalhava."
Jucineia Beydosoviz
29 anos - autônoma
"O Calçadão de Ponta Grossa é bom porque não precisamos andar com pressa, podemos andar devagar. E o melhor é que não tem fluxo de veículos, só de pedestre."
Solange Cristina de Souza
42 anos - diarista
"Só fui conhecer depois dos 15 anos, mas marcou a minha vida pois foi o primeiro lugar que em fui independente. Me lembro que fui comer em um restaurante, estava sozinha. Comi e fui saindo, quando escorreguei das escadas e caí. Graças a Deus, não aconteceu nada comigo, só meu vestido que sujou e tive que ir para casa com ele sujo de terra. Foi uma história muito marcante e engraçada."
Gabrielly Vitória Colasso de Gois Aleixo
9 anos - estudante
"Quando eu era criança, a minha mãe levou eu para tomar sorvete e eu tomei. Fui comprar roupas novas, foi muito divertido."
Savana Ferreira Zaias
38 anos - empresária
"Conheci o Calçadão em 2005, quando comecei a namorar. O Calçadão representa para mim o início de uma história, pois foi um dos primeiros lugares que meu esposo (na época namorado) me levou para conhecer em PG. Lembro que era um lugar cheio de movimento e marcou um momento especial em minha vida. Hoje gosto de voltar lá para passear com minha irmã e relembrar bons momentos."
Luciane Cochinski de Arruda
50 anos - do lar
"Certa vez, andando pelo Calçadão, um grupo de pessoas me cercou. Eram missionários da Universal. Eles oraram por mim e minha família."
Elias Henrique Silva O. Costa
9 anos - estudante
"Um dia fui com o meu pai no Calçadão e queria muito um carrinho, mas ele não tinha dinheiro. Mas ele deu um jeito e comprou pra mim."
Waléria Ap. S. P.
30 anos - doméstica
"Lembro quando minha vó nos levou comer um lanche no Calçadão. Ali tinha uma lanchonete que vendia milkshake e foi a primeira vez que provei."
Marli Dias de Oliveira
58 anos - dona de casa
"Lembro quando meus netos viram a Xicória pela primeira vez, no Calçadão. Foi muito legal e marcante na memória deles."
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Rosnéia Lemes
54 anos - coordenadora de casa de apoio
"O Calçadão é o coração pulsante da cidade, servindo como principal ponto de encontro, comércio e convivência de milhares de pessoas."

TRABALHADORES DO CALÇADÃO
Clique nos nomes e conheça algumas histórias de quem garante o ganha-pão no coração da cidade.
Cervejaria Adriática

Stéfano Junior
radialista
entrevista por Vinicius Orza
texto por Tamires Limurci
Stéfano cresceu ouvindo histórias de um tempo em que o Calçadão ainda era uma rua por onde os carros passavam normalmente, misturados ao movimento do comércio. Para ele, esse pedaço da cidade carrega uma imagem muito ligada à antiga Cervejaria Adriática, que funcionava onde hoje está o Centro Empresarial Antártica. Era ali que se produzia a cerveja Antarctica Original, durante muitos anos, fazendo parte da rotina de quem circulava por aquela região.
Ele conta que, naquela época, não era preciso entrar em um prédio para imaginar a produção acontecendo. A fábrica fazia parte do cotidiano da rua, integrada ao movimento, ao barulho e à presença constante de gente passando. Quando a decisão de transformar o espaço em calçadão foi tomada, fechando o trânsito de carros e priorizando os pedestres, a cervejaria ainda continuou funcionando por um tempo, como se acompanhasse a mudança sem desaparecer de imediato.
Com o passar dos anos, a produção foi encerrada e transferida, e a marca acabou sendo incorporada por uma empresa maior, deixando de fazer parte da paisagem central. Mesmo assim, a lembrança permaneceu. Ele comenta que muita gente dizia que a cerveja produzida ali tinha um sabor diferente, melhor, talvez pela água que era considerada mais adequada. Coisas da época.
Hoje, olhando para o Calçadão cheio de pedestres, é difícil imaginar aquele cenário antigo com carros passando e uma fábrica funcionando quase no meio da rua. Ainda assim, para quem guarda essas histórias, o espaço continua carregando essas camadas, misturando o que existe com aquilo que já fez parte do mesmo lugar.
Rua dos Turcos

Célia Regina Balzer Dell'Aglio
aposentada
entrevista por Eduardo Godoy
texto por Tamires Limurci
Célia cresceu ouvindo um nome que hoje não aparece tanto: Rua dos Turcos. Era assim que todo mundo chamava a antiga Rua Coronel Cláudio, por causa dos comerciantes sírios e libaneses que tinham lojas ali. Eles não gostavam nada do apelido e faziam questão de corrigir, explicando de onde vinham, mas não adiantava muito: o nome já tinha se espalhado.
Na lembrança dela, caminhar por ali era uma experiência bem diferente da de hoje. Dava para ver a Cervejaria Adriática funcionando, as esteiras carregando engradados, o movimento acontecendo quase junto com quem passava na rua. E tinha o cheiro forte de cerveja, de lúpulo, de malte, que parecia ocupar tudo e fazer parte daquele pedaço de cidade.
Quando o Calçadão surgiu, não foi algo que causou estranhamento. A rua já era cheia de gente, cheia de comércio, então a mudança veio quase como um ajuste do que já existia. Ela conta que não houve resistência, nem grandes discussões, e que a obra foi rápida, simples, daquelas que, quando você vê, já terminou.
Depois vieram outras mudanças, como os postes republicanos que hoje fazem parte da paisagem, mas nada disso apagou completamente o que estava antes. Para ela, o Calçadão carrega essas duas coisas ao mesmo tempo. Enquanto as pessoas passam, compram, se encontram, também seguem circulando histórias mais antigas, nomes que ficaram, memórias que continuam aparecendo no meio do caminho. E, de vez em quando, alguém ainda chama de Rua dos Turcos, como se o lugar nunca tivesse deixado de ser um pouco aquilo também.
CRÔNICA
Lugar de
passagem
por Érica Busnardo
Há lugares que não pedem permanência. Não são destino, nem ponto final. São travessias. O Calçadão da Coronel Cláudio, um dos caminhos mais vivos de Ponta Grossa, é um desses. Todos os dias, ele cumpre sua função. Liga um ponto ao outro, encurta caminhos, conduz passos apressados. Quem passa por ali quase sempre leva mais do que o próprio corpo. Carrega a lista do que falta fazer, a conversa interrompida, a preocupação que insiste em acompanhar o trajeto.
São quatro quadras que, vistas de cima, parecem pouco. Mas, por elas, passa quase tudo. Gente indo trabalhar, gente voltando pra casa, gente que não sabe bem pra onde está indo. Sacolas, pressa, pensamentos, cansaço, planos. A cidade atravessa ali.
O calçadão é passagem. Nunca foi outra coisa. E, justamente por isso, acumula o que escapa ao olhar apressado. Fragmentos de infância, tardes sem compromisso, encontros que não pedem nome, trabalhos que começam e terminam ali mesmo, no meio do caminho.
Rafaela Prestes é uma dessas vidas que passam por ali. O calçadão sempre foi caminho. E talvez por isso tenha permanecido tanto. A memória dela se forma em movimento e atravessa o tempo desse jeito. Há cenas espalhadas, mas algumas voltam, encontram lugar e ganham nitidez. Em uma delas, ainda criança, caminha ao lado da mãe e interrompe o passo por alguns segundos. Diante da Cervejaria Adriática, pelas janelas, fica observando garrafas de cerveja descendo por uma esteira. O movimento contínuo prende seu olhar. Não houve nada extraordinário ali. Ainda assim, ficou.
Na adolescência, o tempo no calçadão se alongou. Virou caminho e também pausa. Percorria com a avó, entrava nas lojas sem pressa, comprava o que dava. Um jeito simples de ocupar o dia, sem perceber que ali se construía memória. Havia uma leveza difícil de explicar hoje. O tempo mais solto, o olhar disponível, a vida acontecendo sem precisar ser registrada nem agendada.
Depois, o calçadão seguiu atravessando a rotina. Era caminho para o Terminal Central, volta do colégio, passagem entre um compromisso e outro. Às vezes, um desvio proposital só para deixar alguém pelo caminho, esticar um pouco mais a conversa, prolongar um encontro que nem tinha sido combinado. Coisas pequenas, quase banais, mas que permanecem.
Anos mais tarde, já adulta, o velho corredor da cidade apareceu de outro jeito. Virou cenário. Cenário para espetáculos e, sem que ela percebesse de imediato, cenário também para uma nova fase da vida adulta. Ela trabalhava no Sesc, quando, certa vez, o Festival de Teatro e Circo trouxe para Ponta Grossa o espetáculo “Vikings e o Reino Saqueado”, da Cia Os Palhaços de Rua de Londrina. O palco seria o Calçadão. Coube a ela alguns detalhes solicitados pela produção da peça, como frutas. Muitas. E lá foi ela atrás das encomendas: melancia, melão e mamão. Carregou, organizou, deixou tudo pronto para a apresentação. Deu trabalho. Era preciso que tudo estivesse no lugar.
E por um tempo, as pessoas que passavam por lá diminuíam o passo, observavam, paravam, formavam rodas. Naquele momento, o calçadão, acostumado a conduzir, por alguns instantes segurou. O espetáculo começou. No desenrolar da peça, a melancia, o melão e o mamão se abriram ao impacto do machado, pedaços se espalharam pelo chão de petit pavê, compondo cenas intensas, próprias do riso e do teatro de rua. As frutas, mais do que alimentos, eram elementos narrativos, parte da construção de uma trama de tons sociais e políticos, em que o exagero e a ruptura também tinham função. Era bonito, vibrante, chamava a atenção de quem passava.
Fim do espetáculo, aplausos, o fluxo reaparecendo e o calçadão retomando o seu ritmo. No espaço que por instantes havia sido palco, restavam os vestígios da cena, fragmentos de uma história recém-contada. O público seguiu seu caminho, Rafaela e o então namorado, hoje marido, permaneceram lado a lado, varrendo, organizando, devolvendo o caminho ao seu curso. Aquele dia foi cansaço. Hoje é memória.
A memória também guarda momentos mais doces, como a apresentação de um espetáculo de dança contemporânea, vindo de Curitiba. As pessoas paravam no meio do caminho, assistiam, deixavam-se ficar. Por alguns minutos, não havia pressa.
Hoje, Rafaela passa menos pelo calçadão. A vida mudou de ritmo, de rota, de meio. Mas o caminho segue existindo do mesmo jeito: atravessado.
Porque há lugares que não precisam de permanência para fazer parte da vida. Basta passar. E, sem perceber, deixar ali um pouco das próprias histórias, enquanto se leva, para sempre, aquilo que o caminho guardou. O calçadão segue recebendo passos, pressas, histórias. E devolvendo, a quem passa, fragmentos de memória.


Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski
Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo
Narração do podcast: João Agner
Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,
João Fogaça e Vinicius Orza


