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Parque
Margherita
Masini

BAIRRO:
Vila Estrela

Conhecido também como Chácara Dantas, o Parque Municipal Margherita Sannini Masini possui 58.544 m². No início do séc. XX, funcionava aqui uma pedreira para extração de diabásio, material usado para a pavimentação de ruas. Em 1985, o espaço foi adquirido pela Prefeitura e, em 1992, instituído como Unidade de Conservação de Proteção Integral. Foi aberto ao público em 1999.

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CRÔNICA

O parque que espera

por Érica Busnardo

Todo parque público carrega uma pergunta: de quem ele é, afinal? O Margherita Masini, na Vila Estrela, passou anos tentando responder isso sozinho. Já foi terra explorada, uma pedreira de pedra bruta no início do século passado, um lugar de retirada. Não um lugar de ficar. Depois virou chácara, dessas que têm nome e sobrenome, onde cada trilha tem dono e cada curva guarda um costume. Dizem que a própria dona Margherita conhecia o parque inteiro como quem conhece a própria casa: sem pressa e sem precisar de mapa.

Mais tarde, o parque foi entregue à cidade. Ganhou bancos, trilhas, placas, intenções. Virou espaço público, essa ideia bonita e um pouco abstrata de que algo pertence a todos. E talvez tenha sido aí que começou o problema. Porque quando algo é de todo mundo, existe sempre o risco de não ser de ninguém.

Vieram então os anos em que o parque ficou vazio. Não vazio de árvores ou de caminhos, esses continuavam lá, mas vazio de presença. As trilhas desapareceram sob o mato, os bancos perderam função, e o silêncio passou a ocupar mais espaço do que qualquer pessoa. A cidade, ocupada com outras urgências, foi desaprendendo o caminho até ali. O parque ficou. Assistindo quieto.

Até que, em 2013, alguém resolveu fazer uma pergunta em voz alta. Não exatamente nova, mas dita de outro jeito: e se esse lugar fosse seu? A resposta não veio em palavras. Chegou em movimento. Mãos com luvas, sacos de lixo, passos curiosos, crianças puxando adultos pela vontade de explorar. Houve jornalistas que desceram onde poucos desciam, não para denunciar apenas, mas para convocar. Vieram escoteiros, moradores, empresas, gente que talvez nunca tivesse pensado no parque até então, mas que, naquele momento, decidiu pensar com o corpo inteiro.

No dia da reabertura, houve música. Uma orquestra montada no meio do verde, instrumentos equilibrados entre a delicadeza e o improviso de quem precisa descer uma ladeira carregando som. O vento atrapalhava um pouco, é verdade, mas ainda assim a música chegou. E, por algumas horas, o parque pareceu completamente respondido.

Durante algum tempo, o Margherita deixou de ser paisagem e voltou a ser encontro. Mas com o tempo - ele sempre vem -, as pessoas foram diminuindo. A rotina retomou seus caminhos mais previsíveis, a presença rareou, e o parque, pouco a pouco, voltou a experimentar aquele velho conhecido: o intervalo.

Não por falta de memória. O Margherita lembra de tudo. Do cheiro de mato recém-cortado, da movimentação dos mutirões, da música espalhada entre as árvores. Lembra até daquilo que não deu certo, porque lugares também aprendem com as ausências.

Agora, em mais um recomeço, constroem dentro dele uma espécie de vigília permanente: uma secretaria, um gabinete, uma tentativa de garantir que, desta vez, alguém fique. É uma solução prática. Necessária, até. Mas o parque, se pudesse responder, talvez dissesse que isso ajuda, mas não resolve. Porque a pergunta continua a mesma. De quem é um lugar público? E a resposta, como sempre, não está nas placas, nem nas inaugurações, nem nos discursos de domingo. Ela aparece no gesto mais simples e mais difícil de manter: transformar a passagem em permanência. E insistir.

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Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski

Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo

Narração do podcast: João Agner

Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,

João Fogaça e Vinicius Orza

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