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Escola Mun. Cláudio
Mascarenhas

DISTRITO:
Uvaia (Pinheirinhos)

Criada em 1968 como Escola Municipal de Pinheirinhos, no Distrito de Uvaia, a instituição surgiu para atender comunidades rurais com difícil acesso à educação. Inicialmente com estrutura simples, com salas de madeira e poucos recursos, passou por ampliações e melhorias ao longo das décadas. Em 1979, recebeu o nome do prefeito Cláudio Mascarenhas.

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CRÔNICA

O alicerce que não se vê

por Érica Busnardo

A sala é pequena, de madeira. As carteiras parecem grandes demais para quem ainda está aprendendo a caber no próprio lugar. Sob o olhar atento da professora, tudo começa devagar: o nome sendo escrito, a mão obedecendo com esforço, o traço ainda incerto. Ali, sem que ninguém precise explicar, alguma coisa começa.


A Cláudio Mascarenhas é chão de muitos começos. Mas nem sempre teve paredes firmes ou pátio desenhado. Há mais de 60 anos, muito antes do concreto, do nome registrado, foi uma casa simples, de madeira. Uma sala só, poucas carteiras, com o primeiro, segundo e terceiro anos dividindo o mesmo espaço. Duas professoras conduziam, ao mesmo tempo, os primeiros traços de muitas histórias. Era assim que começava, discreta, necessária, no meio do caminho de quem vivia longe demais para estudar em outro lugar. Na metade dos anos 1990, vieram os registros, os documentos, a formalidade que organizava o que já existia na prática. A escola passou a caber também no papel, mas nunca deixou de pertencer, antes de tudo, à comunidade que a ergueu com presença.


A escola atravessou o tempo e cresceu. O chão de pedrinhas soltas deu lugar a caminhos definidos. As salas se ampliaram, a quadra poliesportiva apareceu, o pátio ganhou forma, um novo parquinho surgiu. Aos poucos, foi acompanhando as necessidades, pois cuidar também é evoluir.


Cada reforma, cada mudança, trouxe melhorias, mas não perdeu aquilo que a mantém em pé: o pertencimento, o afeto e o ritmo de um tempo que insiste em permanecer. Ela foi testemunha de vidas que ali cresceram. Sobreviveu a tentativas de fechamento, a mudanças de governo, a promessas não cumpridas. A comunidade se levantou como quem protege um filho. Vestiu-se de luta e de esperança. 


Resistiu porque o afeto, esse cimento invisível, é o que mantém as paredes de pé quando o vento sopra contra. 
Essa estrutura sólida acolhe alunos e memórias que se multiplicam.  Ali, avós foram alunos. Depois, seus filhos. Hoje, seus netos. Nomes se repetem nos registros, rostos se reconhecem nos corredores, histórias se cruzam sem esforço. A escola guarda tudo, não como arquivo, mas como continuidade.


Entre tantas histórias armazenadas nos corredores da Cláudio Mascarenhas, está a de Tainara Almeida de Camargo: o cheiro da caixa de lápis de cor recém-aberta chega antes da lembrança. E, por um instante, tudo volta. O ano é 2001, primeiro dia de aula de Tainara na Escola Municipal Professor Cláudio Mascarenhas, onde o futuro ainda cabe dentro de uma caixa de papelão colorido. É ali, entre o vermelho-vivo, o verde vibrante e o azul-celeste, que o mundo deixa de ser vasto e assustador.


25 anos depois, aqueles lápis passam a representar uma promessa de que aquela escola nunca a deixaria partir, e que ela, de algum modo, voltaria. E voltou. Anos mais tarde, passou a ser a professora Tainara, e via nas salas de aula a sua própria infância, refletindo a mesma curiosidade, os mesmos risos e a mesma vontade de permanecer.


Hoje, Tainara é diretora da escola e a conduz com olhar atento, transformando cada dia em aprendizado e cada desafio em oportunidade de inspirar novos caminhos. Administra a escola com o mesmo orgulho de quem sempre soube que ali não se aprende apenas a ler e escrever, mas a pertencer. Ela mostra que a paixão por ensinar pode, de fato, atravessar gerações. 
São trajetórias assim que revelam lugares feitos para acumular histórias e construir linhagens. É o que a Cláudio Mascarenhas vem fazendo. 

Há sempre uma criança atravessando o portão pela primeira vez, tentando entender onde colocar as mãos, como segurar o lápis, como escrever o próprio nome. A escola observa, como sempre observou, sem pressa de explicar tudo.


E é aqui que a história ganha um novo capítulo. Agora mesmo, em alguma sala, uma criança está abrindo, pela primeira vez, uma caixa de lápis de cor. O cheiro se espalha leve, como naquele dia, em 2001. E diante dela, abre-se como um papel em branco, à espera do primeiro traço para o futuro.

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Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski

Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo

Narração do podcast: João Agner

Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,

João Fogaça e Vinicius Orza

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