
Escola Mun. Cláudio
Mascarenhas
DISTRITO:
Uvaia (Pinheirinhos)
Criada em 1968 como Escola Municipal de Pinheirinhos, no Distrito de Uvaia, a instituição surgiu para atender comunidades rurais com difícil acesso à educação. Inicialmente com estrutura simples, com salas de madeira e poucos recursos, passou por ampliações e melhorias ao longo das décadas. Em 1979, recebeu o nome do prefeito Cláudio Mascarenhas.


Gislaine Bueno da Luz
26 anos - auxiliar administrativa
"Pinheirinhos foi e é o lugar mais tranquilo para crescer, brincar, andar de bicicleta. Agora crio meus filhos em um lugar onde eu sei que eles estão mais tranquilos e seguros."
Fabiana Camargo Cenoski
29 anos - do lar
"As festas juninas que ocorrem todo ano são esperadas por todos os alunos e pais também. As festas são uma tradição da escola."
David Rafael Ferreira Souza
27 anos - autônomo
"Tenho boas lembranças da escola. Lembro bem das salas de madeira, das tias da merenda e das que limpam a escola."
Mariane Aparecida Gomes Galvão Olszewski
28 anos - professora
"Conheço a Escola Cláudio Mascarenhas desde criança, pois foi a primeira escola que frequentei e onde vivi toda a minha infância. Ela representa o início da minha trajetória, cheio de memórias, aprendizados e descobertas que marcaram minha vida e despertaram meu amor pela educação. Tenho muitas lembranças boas da escola; era um tempo cheio de amizades, brincadeiras e descobertas que marcaram meu aprendizado. Cada momento vivido foi especial. E o mais marcante é poder voltar a esse lugar, não mais como aluna, mas agora como professora."
Aline Galvão dos Passos
25 anos - auxiliar de cozinha
"Conheci esse lugar maravilhoso a partir do momento em que nasci, pois nasci e estudei na Escola Cláudio Mascarenhas. Quando eu estudava aqui, adorava os lanches da dona Soeli; amava rolar na grama que tinha antes da antiga salinha de madeira e brincava de casinha debaixo das árvores. E pensar que isso passou e eu ainda estou vivendo momentos bons aqui com amigos e alunos que terão o privilégio de conhecer essa escola e conhecer sua história."
Marcia Aparecida da Silva dos Santos Almeida
43 anos - merendeira
"Foi aqui onde eu estudei e meus filhos também estudaram. Tenho muitas lembranças desse lugar, das festas e das pessoas que já trabalharam aqui, pois este ano faz 15 anos que trabalho na Escola Cláudio Mascarenhas. Lembranças das crianças que já saíram daqui e muitas outras coisas nesses vários anos que marcaram a minha vida."
Tais Almeida de Camargo
28 anos - servidora pública municipal
"Meus pais foram alunos da EJA e eu e minhas 3 irmãs estudamos aí. Atualmente, minha irmã é diretora e minha mãe da Associação de Pais. Aliás, meus pais tiveram um papel crucial no impedimento do fechamento da escola há anos, lutando contra a Secretaria de Educação e brigando para que a escola permanecesse em funcionamento. A Escola Cláudio Mascarenhas foi o pontapé para o início da minha carreira acadêmica. Atualmente sou mestre em Literatura e, se não fosse o carinho e amor que eu tinha pela escola, isso não teria acontecido. Lembro que quando estava na 4° série, ganhei um concurso regional de desenho da ASSOCAMPOS. Tenho a foto da premiação. Foi muito marcante pra mim, pois até hoje tenho o rádio que ganhei. Fora todas as apresentações, premiações e vivência. Foram bons tempos."

Francisco Joacir Gomes de Almeida
43 anos - gerente
"Meus avós foram uns dos primeiros moradores aqui dos Pinheirinhos. É o lugar onde nasci e onde meus filhos nasceram. Quase toda a minha família mora aqui, então para mim é o lugar que eu mais gosto de estar. Aqui não tem ladrão, você pode deixar a casa aberta e ninguém entra. Eu sempre tenho na memória a lembrança de um tronco que tinha bem na entrada da Vila Pinheirinhos. Este tronco era o local de nossas brincadeiras, onde nós nos reuníamos para conversar. Nos intervalos das aulas da escola nós íamos lá brincar também, então é algo que me marcou muito."

Gece Evangelista
53 anos - construtor
"Conheci a Escola no ano de 2008. Esse lugar representa o início de uma nova etapa dos trabalhos em Ponta Grossa. Viemos de Santa Catarina e ficamos na chácara do meu sogro, Valter, na região de Pinheirinhos. Matriculamos meu filho, Ericler, nessa escola até termos definição se ficaríamos em Ponta Grossa, Cândido de Abreu ou Telêmaco Borba. Então, o Ericler trouxe um bilhete da escola informando que estavam contratando para a reforma que haveria. Trabalhei todo o período e ficamos em Ponta Grossa."
Vitória Gabrielly de Lima Pinheiro
15 anos - estudante
"Comecei a estudar lá com 5 anos. O último dia de aula foi bem marcante para mim, porque era meu último dia na escola. Lembro que eu chorei bastante, porque não estava preparada para dar tchau. Também lembro do discurso das minhas professoras; elas também choraram, foi muito emocionante."
Mariele de Matos Gomes
26 anos - zeladora
"Entrei para a escola em 2005, no antigo “prézinho”. Foi minha primeira escola! Lembro-me de que eu morava na área rural e o ônibus escolar nos levava todos os dias. Eu adorava quando passava pelo Rio Tibagi e pelo pedágio. Lembro-me também de uma senhora que entrava no ônibus todos os dias e apertava as bochechas de todas as crianças!"

Ivanir Aparecido Pereira
52 anos - professor
"Minha relação é muito forte com esse local. Passei 15 anos da minha vida trabalhando com essa comunidade, sempre professor da educação infantil. Conheci pessoas maravilhosas que quando encontro vem me abraçar. Vi a história ocorrer nas viagens feitas até esse local, vivenciei a duplicação da BR 277. Quantas lembranças! Cada criança que foi meu aluno ou aluna está na minha memória, fruto de um trabalho feito com dedicação e comprometimento. Uma das lembranças inesquecíveis que passei ali foi quando a comunidade inteira interferiu por mim, quando a SME, na época, quis me tirar e mandar pra outra escola. O seu Emídio e outros amigos (Emerson, Ligia, Vilma, Adriane, Marcia, Regiane) fizeram um abaixo assinado e entraram numa van e uma kombi. Foram até a prefeitura e conseguiram que não me tirassem de lá. Momento de gratidão que tenho a todos dessa comunidade extraordinária. Reconhecimento do trabalho de amor e carinho com os meus pequenos. A história aqui contada é uma memória viva que tenho até hoje."
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Clique nos nomes e conheça mais histórias sobre este lugar.
CRÔNICA
O alicerce que não se vê
por Érica Busnardo
A sala é pequena, de madeira. As carteiras parecem grandes demais para quem ainda está aprendendo a caber no próprio lugar. Sob o olhar atento da professora, tudo começa devagar: o nome sendo escrito, a mão obedecendo com esforço, o traço ainda incerto. Ali, sem que ninguém precise explicar, alguma coisa começa.
A Cláudio Mascarenhas é chão de muitos começos. Mas nem sempre teve paredes firmes ou pátio desenhado. Há mais de 60 anos, muito antes do concreto, do nome registrado, foi uma casa simples, de madeira. Uma sala só, poucas carteiras, com o primeiro, segundo e terceiro anos dividindo o mesmo espaço. Duas professoras conduziam, ao mesmo tempo, os primeiros traços de muitas histórias. Era assim que começava, discreta, necessária, no meio do caminho de quem vivia longe demais para estudar em outro lugar. Na metade dos anos 1990, vieram os registros, os documentos, a formalidade que organizava o que já existia na prática. A escola passou a caber também no papel, mas nunca deixou de pertencer, antes de tudo, à comunidade que a ergueu com presença.
A escola atravessou o tempo e cresceu. O chão de pedrinhas soltas deu lugar a caminhos definidos. As salas se ampliaram, a quadra poliesportiva apareceu, o pátio ganhou forma, um novo parquinho surgiu. Aos poucos, foi acompanhando as necessidades, pois cuidar também é evoluir.
Cada reforma, cada mudança, trouxe melhorias, mas não perdeu aquilo que a mantém em pé: o pertencimento, o afeto e o ritmo de um tempo que insiste em permanecer. Ela foi testemunha de vidas que ali cresceram. Sobreviveu a tentativas de fechamento, a mudanças de governo, a promessas não cumpridas. A comunidade se levantou como quem protege um filho. Vestiu-se de luta e de esperança.
Resistiu porque o afeto, esse cimento invisível, é o que mantém as paredes de pé quando o vento sopra contra.
Essa estrutura sólida acolhe alunos e memórias que se multiplicam. Ali, avós foram alunos. Depois, seus filhos. Hoje, seus netos. Nomes se repetem nos registros, rostos se reconhecem nos corredores, histórias se cruzam sem esforço. A escola guarda tudo, não como arquivo, mas como continuidade.
Entre tantas histórias armazenadas nos corredores da Cláudio Mascarenhas, está a de Tainara Almeida de Camargo: o cheiro da caixa de lápis de cor recém-aberta chega antes da lembrança. E, por um instante, tudo volta. O ano é 2001, primeiro dia de aula de Tainara na Escola Municipal Professor Cláudio Mascarenhas, onde o futuro ainda cabe dentro de uma caixa de papelão colorido. É ali, entre o vermelho-vivo, o verde vibrante e o azul-celeste, que o mundo deixa de ser vasto e assustador.
25 anos depois, aqueles lápis passam a representar uma promessa de que aquela escola nunca a deixaria partir, e que ela, de algum modo, voltaria. E voltou. Anos mais tarde, passou a ser a professora Tainara, e via nas salas de aula a sua própria infância, refletindo a mesma curiosidade, os mesmos risos e a mesma vontade de permanecer.
Hoje, Tainara é diretora da escola e a conduz com olhar atento, transformando cada dia em aprendizado e cada desafio em oportunidade de inspirar novos caminhos. Administra a escola com o mesmo orgulho de quem sempre soube que ali não se aprende apenas a ler e escrever, mas a pertencer. Ela mostra que a paixão por ensinar pode, de fato, atravessar gerações.
São trajetórias assim que revelam lugares feitos para acumular histórias e construir linhagens. É o que a Cláudio Mascarenhas vem fazendo.
Há sempre uma criança atravessando o portão pela primeira vez, tentando entender onde colocar as mãos, como segurar o lápis, como escrever o próprio nome. A escola observa, como sempre observou, sem pressa de explicar tudo.
E é aqui que a história ganha um novo capítulo. Agora mesmo, em alguma sala, uma criança está abrindo, pela primeira vez, uma caixa de lápis de cor. O cheiro se espalha leve, como naquele dia, em 2001. E diante dela, abre-se como um papel em branco, à espera do primeiro traço para o futuro.


Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski
Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo
Narração do podcast: João Agner
Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,
João Fogaça e Vinicius Orza


