
Centro de
Eventos
BAIRRO:
Contorno
Construído em 1991 para receber a 2ª Münchenfest, o Centro de Eventos Governador José Richa é o principal espaço para eventos de grande porte em Ponta Grossa, com mais de 227 mil m². Seu pavilhão central leva o nome do empresário da comunicação Constâncio Mendes, enquanto o palco externo homenageia o empresário do setor artístico Adilson Vieira Simões.

Felipe Bueno Fornazari
32 anos - auxiliar de produção
"Lembro que numa Münchenfest no Centro de Eventos eu perdi o ônibus madrugueiro e tivemos que ir a pé até o Jockey Club."
Eliane S. G. Carvalho
41 anos - confeiteira e empresária
"Minha filha aprendeu a andar de bicicleta ali no Centro de Eventos. Nesse lugar, eu assisti a um show, vi balões no festival de balonismo e também fui em um evento de motocross, tudo pela primeira vez."
Giovan Alex Borowski
34 anos - empresário
"Certa vez nós fomos fazer um piquenique no estacionamento, e passamos a tarde toda brincando, jogando e comendo."
Josmere Sobzak
51 anos - autônoma
"Aos finais de semana os meus pais me levavam ali. Tinham animais, pipoca, docinho e era tudo muito bonito. Também lembro que eu sempre vinha embora com uma bexiguinha em um barbante."
Matheus Henrique Ferreira
9 anos - estudante
"Estive no Centro de Eventos apresentando um trabalho do LAC [Laboratório de Aprendizagem Criativa], além de ter tomado a vacina da Covid."
Ana Claudia Valentin
31 anos - do lar
"Eu tinha cerca de 18 anos quando fui no meu primeiro show, que foi do cantor Cristiano Araújo. Até hoje esse foi um dos melhores shows que eu já fui, tenho muitas lembranças boas."
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Cristina Alves Stofela
36 anos - empresária
"Lembro quando um ônibus levou as crianças da minha escola pro Centro de Eventos para fazer a identidade. Foi algo que me marcou muito, pois foi o meu primeiro documento oficial. Me senti orgulhosa!"
Lorenzo Camargo da Luz
8 anos - estudante
"Uma lembrança especial que tive recentemente foi na FESUVA, a qual me diverti muito no parque. Fiz um lanche gostoso e ainda assisti a um show com a minha família."
Edimara Antunes Lara
39 anos - auxiliar administrativa
"Eu fui no show da Xuxa e de Sandy & Junior quando era criança. Foi muito legal na época. Outro acontecimento foi na primeira Esquadrilha da Fumaça que fui!"
Emanuelle Francine de Freitas
27 anos - do lar
"São vários momentos e lembranças vividas no Centro de Eventos, mas o principal, que sempre vou levar na memória, foi quando vimos os balões. Foi um momento incrível com minhas filhas e família. Os olhinhos delas brilhando quando os balões começaram a encher e subir. Sempre guardarei comigo."
Miryan Cardoso
35 anos - operadora de caixa
"Conheci o Centro de Eventos quando fui em palestras e atividades com a escola. Eu morava em outra cidade e toda a sala vinha de ônibus. Achávamos muito legal conhecer outra cidade e pontos turísticos, sendo que, nesse caso, era uma exposição de pecuária. No outro ano teve início a Efapi e nossa escola sempre marcava presença."
Sonia A. G Ribas
60 anos - aposentada
"Fui na primeira festa no Centro de Eventos, na Münchenfest. Esse espaço trás muitas lembranças da minha juventude com meus amigos em eventos inesquecíveis. Tínhamos um bloco que participava dos desfiles da München, todos os anos nos vestíamos com roupas e acessórios próprios da festa alemã."
João Ricardo Schwab
56 anos - bancário
"Vou ao Centro de Eventos desde a sua inauguração, tanto na Münchenfest como em algumas feiras agropecuárias. Fui a um parque de diversões na primeira feira agropecuária que eu fui no Centro de Eventos. A cada brinquedo que eu me divertia, mais maravilhosas lembranças de minha infância eram trazidas. Eu tinha ido a parques de diversões poucas vezes quando ainda era bem pequeno."
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Dorotéia Kubakoski Rocha
39 anos - cabeleireira
"Esse lugar representa uma lembrança muito especial da minha adolescência. Foi quando fui ao Centro de Eventos pela primeira vez com uma amiga, assistir ao show do KLB. Eu tinha 15 anos e estava muito animada. Foi um dia inesquecível, com muita música, alegria e pessoas cantando juntas. Até hoje lembro da emoção de ver um show ao vivo e de como aquele momento ficou guardado na minha memória."
Joselene Menarczuk
38 anos - empregada doméstica
"Conheci o Centro de Eventos quando fui no show do Milionário e José Rico, aos 19 anos. É um local de descontração, pra se esquecer um pouco do estresse do dia a dia."
Aline Luico Viana Amaro
33 anos - do lar
"Já aconteceu muita coisa comigo no Centro de Eventos, mas uma que me marcou foi durante um evento: fui embora e nem tinha percebido que esqueci minha bolsa."
Tatiane Tavares Santos
32 anos - dona de casa
"Conheci o Centro de Eventos quando vim morar no Contorno. Gosto de levar meus filhos ao parque de diversões na Efapi e para ver os animais."
Beatriz Pontes Fornazari
36 anos - professora
"Eu morava em uma chácara no fundo da Efapi. Para pegar ônibus eu tinha que atravessar por dentro do Centro de Eventos. Eu e minha irmã andávamos muito de bicicleta por lá."
Laura Slota Oilarski
8 anos - estudante
"Eu lembro da feira da uva, onde eu comprei uma capivara de braço e um geladinho de açaí. Também me lembro da feira dos animais, que foi muito legal."
Davi Monteiro Bento
estudante
"Eu e minha mãe fomos passear com os cachorros e andar de bicicleta em uma tarde por lá. Nunca vou esquecer que os cachorros pularam na piscina que tem lá."
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Viviane Santos Daniski
42 anos - diarista
"Acho que o lugar não é bem utilizado. Quando faziam a Efapi lá eu gostava de ir ver os gados, cavalos e passear no parque que montavam ali. Era bem divertido. Uma vez fomos eu, meu esposo, meu filho mais velho e os meus irmãos. Na época eram todos pequenos e foi muito legal. Ainda não existia Uber, então voltamos embora a pé de madrugada."
Julio Cardoso
38 anos - condutor socorrista
"Era uma Münchenfest e lembro-me que estávamos eu e mais um amigo, cujo apelido era Peter, observando a dança realizada por dançarinos com roupas tradicionais alemãs. Quando, por um segundo, olhamos e começamos a dançar de uma maneira diferente. Com isso, demos muitas risadas pelo resto da noite. Até hoje, como melhores amigos, sempre que nos encontramos nós lembramos desse dia."
Davi Luiz Bassani
8 anos - estudante
"Uma vez, meus primos, que moram em Pato Branco, vieram participar de uma paleteada no Centro de Eventos. Aí fomos com minha família que mora aqui em Ponta Grossa."
Elizete A. Martina
46 anos - costureira
"Uma lembrança muito boa que tenho do Centro de Eventos foi quando fiz meu primeiro passeio de helicóptero. Uma experiência ótima e acompanhada da minha filha. Foi um pequeno tour, mas a vista lá de cima é outro nível."
Tiago Vitor de Souza
33 anos - analista de sistemas
"Esse lugar representa a minha infância, quando morei no Santa Terezinha. Lembro das brincadeiras com os amigos, do bairro que ficava cheio durante as grandes festas e dos vários bloqueios de carros e barracas."
Francielle M.M Corrêa
33 anos
"Fui pela primeira com os meus pais, na Efapi. Lá eu tirei foto com os policiais, com os animais e brinquei nos brinquedos. Conheci os cavalos gigantes, um preto e um branco, e finalizei meu dia com um lanche."
Fernanda Bianca de Oliveira
30 anos - analista de crédito
"Conheci o Centro de Eventos em 2010, quando vim com a escola para a Efapi. Representa o primeiro lugar que conheci em Ponta Grossa, pois morava em outra cidade e foi o que me marcou: o evento com meus amigos. O Centro de Eventos estava cheio de luzes, música, cheiro de comida das barracas e muitas pessoas. E no meio daquela multidão, você percebe que existem momentos que parecem simples, mas depois se tornam lembranças fortes. Tinham várias exposições diferentes e, como eu morava no interior, tudo era novidade. Ficou marcado na minha memória esse dia."
Ederson de Paula
42 anos - vendedor de loja de moto
"Fui assistir o show da Paula Fernandes e na hora de ir embora alguém murchou todos os pneus do meu carro. Uma professora do CMEI da Santa Terezinha me levou pra encher os pneus no posto de combustível. Eu quis pagar ela, mas ela não deixou. Fiquei muito grato. Agradeci e fui embora."
Amanda Cristina Xuete Lisboa
27 anos - do lar
"Esse lugar me traz lembranças muito boas porque pude conhecer o meu cantor preferido. Fui em um show do Luan Santana em 2024 e pude ver ele bem de pertinho. Além disso, eu também estava grávida do meu bebê, e, na época, ainda nem sabia (ele ama as músicas do Luan também)."
Jéssica Cunha da Luz Baraga
34 anos - do lar
"Eu conheci o Centro de Eventos quando compramos uma casa aqui na região. Depois, fomos numa festa lá. Esse lugar representa um ponto de referência para o Contorno. Me recordo que teve uma festa ali com muitos animais, como vaca, boi e pônei, além da comida boa e os brinquedos."
Silmara Dutra
42 anos - professora de educação física
"Quando criança fui a um show com meus pais. Lembro do lugar ser enorme e arborizado. Também me recordo da comida, da música, do parque de diversões, das risadas e do passeio de bicicleta. Muitas vezes a gente andava em duplas, e isso tudo ficou guardado como uma lembrança feliz da infância."
João Victor Pereira
8 anos - estudante
"Meu pai me levou para aprender andar de bicicleta."
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Ingridy Bini
38 anos - professora
"Quando criança eu tinha o sonho de conhecer um cantor que gostava muito, o Leonardo. Então, um dia, minha tia levou eu e minhas primas para o show no Centro de Eventos. Choveu muito e ficamos todos encharcados, mas, mesmo assim, foi inesquecível."
Fernanda Hartmann
28 anos - operadora de caixa
"Fui pela primeira vez em um show da banda Rouge, com oito anos. Era meu sonho conhecê-las, e desde então frequentei várias vezes. Já fui em vários shows. Aos 12 anos, sempre íamos no dia da pulseira nos brinquedos do parque durante a München e a Efapi."
Anderson Luiz Nattan
38 anos - motorista
"Sempre ouvia falar a respeito, mas nunca tinha tido a oportunidade de ir ao Centro de Eventos. Aí um dia, meu tio estava indo sozinho a um show do Paralamas do Sucesso na Münchenfest. Ele me convidou e eu fui com ele. Como eu nunca tinha ido, foi muito emocionante."
Juca Bala
38 anos - representante comercial
"Sou morador do bairro Contorno e cresci na região. Desde pequeno eu brincava por ali e era o nosso quintal de casa. Tenho várias histórias no Centro de Eventos, mas uma boa foi em época da Münchenfest. Nós, ainda meninos, não tínhamos dinheiro para frequentar as festas de lá. A rua sempre enchia de veículos naquela época, e eu e meus amigos cuidávamos de carros por vários dias para poder ir no último dia de festa. Então, nós esperávamos sempre as festas no Centro de Eventos para trabalhar e termos dinheiro."
Daniel Marcos França
30 anos - carpinteiro de obras
"Fui em uma competição de som no Centro de Eventos e ganhei em 2º lugar. Hoje só ficam lembranças."
Geovane Ramos Junior
9 anos - estudante
"Ano passado eu fui ao Centro de Eventos ver shows. Foi muito legal e divertido, quero muito voltar."

Maria Adriana
das Neves (Chica) e suas múltiplas visões do Centro de Eventos

51 anos
produtora cultural e servidora pública
por Tamires Limurci
Chica lembra do Centro de Eventos como quem volta para um tempo em que tudo parecia maior do que realmente era. Ela o conheceu em 1991, durante a inauguração na segunda edição da Münchenfest. O espaço era novo e chamava atenção pela dimensão e pela movimentação.
Naquele ano, ela frequentou o local todos os dias, acompanhando os shows e vivendo de perto a programação da festa. Lembra de artistas que passaram por ali e marcaram aquele momento, como Kid Abelha, Fábio Júnior, Ivan Lins, Chrystian & Ralf, Jimmy Cliff, Beth Carvalho, Fagner, Elba Ramalho e Capital Inicial.
Com o tempo, a relação com o lugar se ampliou. Além de frequentadora, passou a se apresentar no espaço com seu grupo de dança, ocupando o palco e vivenciando o Centro de Eventos de outra forma. Aquilo que antes era visto da plateia passou a ser experimentado também de dentro, como parte das atividades culturais realizadas ali.
Anos depois, o vínculo com o espaço se transformou novamente. O Centro de Eventos deixou de ser apenas um local de lazer e passou a fazer parte da sua rotina profissional. Atuando na produção de eventos da Secretaria Municipal de Turismo, ela passou a acompanhar a organização e execução das atividades realizadas no local, participando diretamente da construção tanto da Münchenfest como de novos eventos.
Entre as lembranças mais marcantes, ela destaca uma festa junina realizada no local. O evento reuniu grande público e ficou marcado por situações que fugiram do roteiro. Em determinado momento, o prefeito entrou na brincadeira e acabou sendo “preso” em uma cadeia de bambu montada como parte da festa. Durante o baile, cachorros invadiram o espaço, exigindo que os organizadores interrompessem momentaneamente as atividades para retirá-los. Ao mesmo tempo, o show das Irmãs Galvão acontecia no palco, mantendo a programação enquanto o restante seguia em movimento.
Hoje, o Centro de Eventos segue presente na vida dela, agora como espaço de trabalho. O lugar que antes frequentava para assistir e se apresentar continua sendo ocupado, mas em outra posição, acompanhando e organizando o que acontece ali.
@memorialdaexistencia
Caroline Ap.
@ap.carol
"Minha avó e avô me levaram na Variante deles pra ver o show de Sandy & Junior. Eu era muito pequena, mas lembro de flashs desse dia. Minha avó amava contar que me colocou nos ombros e eu fiquei 'mexendo a bundinha' o show inteiro. Saudade, vó Mara e vô Zé."
Gilson Senger Kochmann
@gilsonsenger
"Scorpions , banda Eva, Raimundos, jimmy clif, entre outras bons shows, o Roberto Carlos quando estava vivo perdi o show dele"
Dri Fernandes
@drifernandes76
"Daniela Mercury o ano era 1993 Munchen Fest... esse dia foi loco ... rsrsrs de uma época que o evento era muito bom."
Emanuele Lima
@emanuelerodrigueslima
"Jimmy Cliff, Scorpions, É o tchan, Ivete , Bateria do Salgueiro, Rita Lee o show das cabeças sensacional ...Olodum não lembro mas são shows de uma época muito boa de Munchen Fest... só Scorpions foi um show fora da festa do chopp..."
Jessika Novakoski
@aaomi.arte
"Xuxa quando era criança. Lembrou que lotou demais"
Flavio FR
@flavioffr333
"Show do Claudinho e Buchecha"
Zuleica Carneiro
@zuleicamarianocarneiro
"O dia q fui no show do Cristiano Araújo foi top demais"
Matilde Francisquiny
@matildefrancisquiny
"Levei minhas filhas no shows da Sandy e Junior e Milton Nascimento."
Carla Josiane
@carlarosahuk
"O dia que fui colocar flur nós dentes 😜 ali ... Eu morava em Uvaranas kkk foi uma viagem kkk tinha 5 anos"
CRÔNICA
Depois que a música acaba
por Érica Busnardo
Tem lugar que a gente não lembra exatamente da primeira vez que foi. Mas lembra perfeitamente do que aconteceu lá dentro. O Centro de Eventos é assim. Ninguém costuma dizer “ah, naquele dia eu cheguei, estacionei, entrei…”. Não. A memória já começa no meio da noite: no show, na risada, no encontro inesperado, no copo na mão, na música alta demais pra conversar direito.
A história desse espaço é feita de pressa e grandiosidade. Em 1990, o sucesso estrondoso da primeira Münchenfest deixou claro que tanta alegria não caberia mais no centro da cidade. Era preciso um espaço à altura daquela energia. As discussões fervilharam em 1991. E foi rápido. Oito meses de obra e o Centro de Eventos Cidade de Ponta Grossa já estreava com festa, no primeiro dia da segunda München, com muita música, gente e diversão.
Na inauguração, o entusiasmo de festa se misturava ao cheiro de tinta fresca e madeira nova. Maria Augusta Pereira Jorge que o diga. Esteve ali desde antes de tudo existir de verdade. Acompanhou a ideia, viu o projeto tomar forma nas reuniões, virar obra e ganhar urgência. Trabalhou na organização, viveu a gestação e presenciou o nascimento do Centro de Eventos como quem ajuda a colocar um filho no mundo.
No primeiro dia, enquanto o desfile da 2ª Münchenfest tomava a avenida Vicente Machado, Maria Augusta conduzia tudo com a precisão de quem conhece o ritmo da festa. Cerimonialista da inauguração, acompanhou o cortejo até o fim e, assim que os blocos passaram, seguiu apressada para o Centro de Eventos. Já no local, veio o alerta dos vidraceiros, que haviam acabado de instalar as portas de vidro: “não deixe ninguém tocar”. Com o público chegando e a movimentação aumentando, ela resolveu a questão à sua maneira, de forma prática e imediata. Escreveu um aviso simples, colou no vidro e seguiu com o trabalho. Durante a festa, as portas ficaram intactas, como se aquilo nunca tivesse sido um problema.
Desde que nasceu, o Centro de Eventos nunca ficou restrito ao seu limite físico. Ele sempre foi aquele vizinho que fala alto. Quem mora no Santa Paula, no Contorno, ou nas partes altas da Nova Rússia sabe bem que não precisa de ingresso para saber que o show já começou. O som das guitarras do Capital Inicial, o axé de Daniela Mercury, o reggae de Jimmy Cliff, ou a viola de Chrystian & Ralf sobem a topografia acidentada do bairro, pegam carona no vento e avisam, em eco, que a noite já começou ali por perto.
Se puxar bem lá da memória, todo ponta-grossense tem uma história boa com aquele gigante do Contorno. Porque o Centro de Eventos tem esse talento. Muitas pessoas entram para viver uma noite e saem com um episódio. Como o da Maria Augusta. Ela conta, com sorriso saudoso, sobre a noite em que a rotina abriu espaço para o extraordinário. Coordenadora incansável do palco interno da München, naquele fim de jornada, enquanto o trabalho ainda pulsava, o inesperado pediu passagem: ninguém mais, ninguém menos que Djavan lhe pedindo carona. Assim, de forma bem simples. Ele havia dispensado o carro oficial logo após o show, para se jogar na festa até mais tarde, e, naquele momento, já não tinha como voltar para o hotel.
E lá foram eles, Maria Augusta, Djavan e um pequeno grupo de colegas de trabalho, amontoados na Kombi do sr. Oliveira, carregando o cansaço de quem atravessou a madrugada no trabalho. Do lado de fora, a saída lenta da festa esticava o tempo. Por dentro, outra coisa acontecia. No trajeto entre o Centro de Eventos e o hotel, a música não veio do rádio. Veio dele, sem palco, sem microfone, sem luzes. Só voz e presença, ocupando aquele espaço como se o mundo coubesse naquele instante. E o caminho ganhou um tipo raro de permanência. Porque há noites que acabam. E há outras que continuam ecoando, baixinho na memória, como canção que não se esquece.
A München já foi palco também de muitas outras histórias. Em mais de três décadas, trouxe shows para todos os gostos. Por ali passaram vozes que embalaram amores, saudades e fases inteiras da vida. Fábio Júnior, Ivan Lins, Milton Nascimento deram o tom das noites mais emotivas. Teve também quem trouxe gingado sem pedir licença. É o Tchan, Olodum e a bateria da Acadêmicos do Salgueiro fizeram o chão responder. Elba Ramalho e Fagner trouxeram o Nordeste em forma de música e presença. E houve as noites de coro coletivo, daquelas em que ninguém canta sozinho: Kid Abelha, Sandy & Junior, Rita Lee, Ultraje a Rigor, Titãs, Skank.
E, em meio a tudo isso, também houve espaço para o inesperado como o carisma de Xuxa mobilizando multidões e o peso internacional de Scorpions e Nazareth fazendo vibrar um público que nem sempre cabia em si. No fim, mais do que uma sequência de shows, o que se construiu nos palcos do Centro de Eventos foi um repertório de vidas. Em cada apresentação, alguém viveu a sua noite inesquecível.
O Centro de Eventos é o coliseu de memórias. Um lugar democrático onde cada noite pode virar uma epopeia, com risadas que persistem mesmo depois que a música acaba. Em Ponta Grossa, ninguém vai embora sem levar um pedaço de lembrança e um pouco de caos memorável na bagagem. Porque o Centro de Eventos tem esse talento. Você entra para viver uma noite e sai com uma história. Às vezes boa. Às vezes absurda. Mas sempre melhor do que o planejado.


Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski
Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo
Narração do podcast: João Agner
Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,
João Fogaça e Vinicius Orza


