top of page
  • Facebook
  • Instagram
background verde.jpg

Centro de
Eventos

BAIRRO:
Contorno

Construído em 1991 para receber a 2ª Münchenfest, o Centro de Eventos Governador José Richa é o principal espaço para eventos de grande porte em Ponta Grossa, com mais de 227 mil m². Seu pavilhão central leva o nome do empresário da comunicação Constâncio Mendes, enquanto o palco externo homenageia o empresário do setor artístico Adilson Vieira Simões.

Centro de Eventos.jpg

CRÔNICA

Depois que a música acaba

por Érica Busnardo

Tem lugar que a gente não lembra exatamente da primeira vez que foi. Mas lembra perfeitamente do que aconteceu lá dentro. O Centro de Eventos é assim. Ninguém costuma dizer “ah, naquele dia eu cheguei, estacionei, entrei…”. Não. A memória já começa no meio da noite: no show, na risada, no encontro inesperado, no copo na mão, na música alta demais pra conversar direito. 


A história desse espaço é feita de pressa e grandiosidade. Em 1990, o sucesso estrondoso da primeira Münchenfest deixou claro que tanta alegria não caberia mais no centro da cidade. Era preciso um espaço à altura daquela energia. As discussões fervilharam em 1991. E foi rápido. Oito meses de obra e o Centro de Eventos Cidade de Ponta Grossa já estreava com festa, no primeiro dia da segunda München, com muita música, gente e diversão.


Na inauguração, o entusiasmo de festa se misturava ao cheiro de tinta fresca e madeira nova. Maria Augusta Pereira Jorge que o diga. Esteve ali desde antes de tudo existir de verdade. Acompanhou a ideia, viu o projeto tomar forma nas reuniões, virar obra e ganhar urgência. Trabalhou na organização, viveu a gestação e presenciou o nascimento do Centro de Eventos como quem ajuda a colocar um filho no mundo. 


No primeiro dia, enquanto o desfile da 2ª Münchenfest tomava a avenida Vicente Machado, Maria Augusta conduzia tudo com a precisão de quem conhece o ritmo da festa. Cerimonialista da inauguração, acompanhou o cortejo até o fim e, assim que os blocos passaram, seguiu apressada para o Centro de Eventos. Já no local, veio o alerta dos vidraceiros, que haviam acabado de instalar as portas de vidro: “não deixe ninguém tocar”. Com o público chegando e a movimentação aumentando, ela resolveu a questão à sua maneira, de forma prática e imediata. Escreveu um aviso simples, colou no vidro e seguiu com o trabalho. Durante a festa, as portas ficaram intactas, como se aquilo nunca tivesse sido um problema.


Desde que nasceu, o Centro de Eventos nunca ficou restrito ao seu limite físico. Ele sempre foi aquele vizinho que fala alto. Quem mora no Santa Paula, no Contorno, ou nas partes altas da Nova Rússia sabe bem que não precisa de ingresso para saber que o show já começou. O som das guitarras do Capital Inicial, o axé de Daniela Mercury, o reggae de Jimmy Cliff, ou a viola de Chrystian & Ralf sobem a topografia acidentada do bairro, pegam carona no vento e avisam, em eco, que a noite já começou ali por perto.  


Se puxar bem lá da memória, todo ponta-grossense tem uma história boa com aquele gigante do Contorno. Porque o Centro de Eventos tem esse talento. Muitas pessoas entram para viver uma noite e saem com um episódio. Como o da Maria Augusta. Ela conta, com sorriso saudoso, sobre a noite em que a rotina abriu espaço para o extraordinário. Coordenadora incansável do palco interno da München, naquele fim de jornada, enquanto o trabalho ainda pulsava, o inesperado pediu passagem: ninguém mais, ninguém menos que Djavan lhe pedindo carona. Assim, de forma bem simples. Ele havia dispensado o carro oficial logo após o show, para se jogar na festa até mais tarde, e, naquele momento, já não tinha como voltar para o hotel.


E lá foram eles, Maria Augusta, Djavan e um pequeno grupo de colegas de trabalho, amontoados na Kombi do sr. Oliveira, carregando o cansaço de quem atravessou a madrugada no trabalho. Do lado de fora, a saída lenta da festa esticava o tempo. Por dentro, outra coisa acontecia. No trajeto entre o Centro de Eventos e o hotel, a música não veio do rádio. Veio dele, sem palco, sem microfone, sem luzes. Só voz e presença, ocupando aquele espaço como se o mundo coubesse naquele instante. E o caminho ganhou um tipo raro de permanência. Porque há noites que acabam. E há outras que continuam ecoando, baixinho na memória, como canção que não se esquece. 

A München já foi palco também de muitas outras histórias. Em mais de três décadas, trouxe shows para todos os gostos. Por ali passaram vozes que embalaram amores, saudades e fases inteiras da vida. Fábio Júnior, Ivan Lins, Milton Nascimento deram o tom das noites mais emotivas. Teve também quem trouxe gingado sem pedir licença. É o Tchan, Olodum e a bateria da Acadêmicos do Salgueiro fizeram o chão responder. Elba Ramalho e Fagner trouxeram o Nordeste em forma de música e presença. E houve as noites de coro coletivo, daquelas em que ninguém canta sozinho: Kid Abelha, Sandy & Junior, Rita Lee, Ultraje a Rigor, Titãs, Skank. 


E, em meio a tudo isso, também houve espaço para o inesperado como o carisma de Xuxa mobilizando multidões e o peso internacional de Scorpions e Nazareth fazendo vibrar um público que nem sempre cabia em si. No fim, mais do que uma sequência de shows, o que se construiu nos palcos do Centro de Eventos foi um repertório de vidas. Em cada apresentação, alguém viveu a sua noite inesquecível.


O Centro de Eventos é o coliseu de memórias. Um lugar democrático onde cada noite pode virar uma epopeia, com risadas que persistem mesmo depois que a música acaba. Em Ponta Grossa, ninguém vai embora sem levar um pedaço de lembrança e um pouco de caos memorável na bagagem. Porque o Centro de Eventos tem esse talento. Você entra para viver uma noite e sai com uma história. Às vezes boa. Às vezes absurda. Mas sempre melhor do que o planejado.

Centro de Eventos.jpg

Direção Geral e Arte-Educadora: Rafaela Prestes
Produção e Comunicação: Eduardo Godoy
Assistente de Produção e Edição: Tamires Limurci
Antropóloga: Aila Villela Bolzan
Coordenadora de Educação Patrimonial: Ellen Biora
Coordenadora de Pesquisa Territorial: Marcela Bettega
Historiadora Museóloga: Milena Mayer
Historiador Pesquisador: Eduardo Terleski

Identidade visual: Guto Stresser
Fotografias: Rogério Junior
Ilustração: Alisson Nascimento
Croqui: Rute Yumi
Crônica: Érica Busnardo

Narração do podcast: João Agner

Edição do podcast: Luiz Vinicius Piralinda
Estagiários: Ana Luiza Severo, Gabriel Ribeiro,

João Fogaça e Vinicius Orza

bottom of page